Enquanto a tecnologia 5G ainda engatinha no Brasil e a ANATEL prevê que somente em 2021 ela deve estar operacional no país, o doutor Fang Min, especialista chinês da ZTE, declarou recentemente na segunda Cúpula 6G, que a tecnologia deve estar disponível comercialmente em 2030.

Se, aliando blockchain e Internet das Coisas, o 5G deve representar uma revolução na interação social o 6G pretende ampliar o poder de conectividade e interação entre os dispositivos na medida em que, além da baixa latência do 5G, o 6G deve proporcionar mais de 1 Tbps de velocidade de conexão por segundo, além de taxa de dados individual de até 20 Gbps e capacidade de serviço de 100 Gbps/m³. Seria o equivalente conexões 8 mil vezes mais rápidas que o possível com as redes de quinta geração.

Ainda durante a Cúpula, que foi realizada remotamente devido às restrições por conta do avanço do Coronavírus, Min reforçou que a ZTE tem uma equipe completamente dedicada ao desenvolvimento do 6G e que vem trabalhando em disponibilizar infraestrutura na rede para sinal de rádio inteligente, cobertura inteligente, conectividade tridimensional, sistema de MIMO (múltiplas entradas e múltiplas saídas) inteligente, topologia e IA sob demanda, além de uma nova comunicação visual.

A equipe de Min espera que os trabalhos preliminares sejam concluídos até 2023 para que os testes possam começar.

A China lançou no ano passado um esforço nacional em torno do desenvolvimento do 6G tendo em vista que o 5G 'chinês' já estaria pronto e sendo comercializado mundialmente pela Huawei. Assim, para cumprir seu objetivo de ser líder mundial em tecnologia o país, por meio do Ministério da Ciência e Tecnologia, anunciou a criação de dois escritórios dedicados a tecnologia.

Um deles composto por agências governamentais e outro por 37 especialistas de universidades, academias de pesquisa e empresas, os quais facultarão sugestões aos elaboradores de políticas. Ambas as unidades são responsáveis por elaborar pesquisas e desenvolvimentos voltados ao 6G. No ano passado também o Japão declarou que entrou na corrida pelo 6G e que pretende ter a tecnologia comercialmente desenvolvida ante de 2030.

Segundo especialistas a partir do momento em que o 5G estiver disponível no cotidiano das pessoas será praticamente impossível construir uma economia de dados sem o uso de blockchain atuando como um layer de conectividade entre os diferentes dispositivos. Tendência que deve ser ainda mais fortalecida com o uso do 6G.

Tharaka Hewa, pesquisador da Universidade de Oulu, destacou em seu trabalho "The Role of Blockchain in 6G: Challenges, Opportunities and Research Directions" como a tecnologia será um facilitador e um propulsor das potencialidade do 5G e do 6G no mundo.

"Espera-se que os principais domínios relacionados à vida humana, como assistência médica, transporte, entretenimento e cidades inteligentes, elevem a qualidade do serviço com a experiência do usuário de ponta. Portanto, a infraestrutura de telecomunicações precisa atender a requisitos de nível de serviço sem precedentes para a conectividade de sistemas futuros, como taxa e volume de dados extensos para domínios futuros importantes como Realidade Virtual (VR), Real-Massive Input-Massive Output (MIMO) e Machine Digite Comunicação (mMTC). Existem desafios significativos identificáveis ​​no contexto da comunicação para corresponder aos futuros booms da demanda. A tecnologia blockchain e ledger distribuído é um dos facilitadores de tecnologia mais disruptivos para abordar a maioria das limitações atuais e facilitar os padrões funcionais do 6G. Neste trabalho, exploramos o papel da blockchain para enfrentar desafios significativos no 6G, oportunidades futuras de aplicativos e orientações de pesquisa", disse.