O megavazamento de dados que expôs informações sensíveis de 223 milhões de brasileiros pode ter afetado toda a população brasileira, incluindo pessoas que já morreram.

Números de RG, CPF, informações sobre renda, crédito, foto pessoal, endereços, padrão de vida, imposto de renda e outras informações fazem parte do maior vazamento de dados pessoais da história do Brasil. O caso está sendo investigado pela recém-criada Agência Nacional de Proteção de Dados (ANPD), que já identificou a venda dos dados na deep web com pagamento em Bitcoin.

Segundo especialistas ouvidos pelo portal Consultor Jurídico, o megavazamento fez com que "todo brasileiro tivesse seus dados expostos de forma definitiva", e os efeitos do vazamento devem ser sentidos por anos, alertam.

O advogado especialista em internet Omar Kaminski diz que as opções para os criminosos em posse dos dados são incalculáveis e as consequências serão gravíssimas para a sociedade brasileira: "As opções são inimagináveis, e as consequências, nefastas", analisa ele.

Para a presidente da Comissão de Dados e Privacidade da OAB-RJ, Estela Aranha, o caso é mesmo de muita preocupação:

"Além do volume, a natureza e a extensão dos dados traz um risco enorme de possibilidades de fraudes, roubo de identidade, os mais diversos tipos de golpes e o que chamamos de engenharia social na área de segurança da informação"

Segundo ela, os donos dos dados podem ser expostos a "todo tipo de fraude" por anos:

"Os titulares desses dados estão expostos a todos os tipos de fraude e quase todo sistema de verificação de identidade não presencial hoje acabou se tornado inseguro"

Para o cidadão comum, ela diz que há poucas opções para se proteger. Nem mesmo a Justiça pode ser efetiva neste caso:

"É muito difícil cada titular provar o nexo de causalidade desse vazamento com eventual lesão ou dano; por isso, é muito importante a apuração de responsabilidades e medidas de tutela coletiva em relação aos riscos, lesões de direitos e danos gerados por esse vazamento"

Kaminski ainda recomenda que a população se previna e proteja seus dados na internet, não preenchendo cadastros, pesquisas ou sites que peçam dados pessoais "aleatoriamente e em excesso".

Parte dos especialistas aponta a Serasa como dona do banco de dados roubado com o megavazamento, mas a empresa até agora nega responsabilidade. A investigação está em andamento.

Como saber se meus dados vazaram

Com a notícia do megavazamento e a disseminação de dados sensíveis nas mãos de criminosos, muita gente quer saber se seus dados estão na lista do ataque e quais as informações pessoais que agora podem ser usadas para potenciais fraudes.

A resposta para a primeira pergunta é sim, provavelmente seus dados estão na lista de 223 milhões de pessoas afetadas pelo ataque. Agora, a resposta para a segunda pergunta pode ser respondida pelo site Fui Vazado, do desenvolvedor Allan Fernando Armelin da Silva Moraes, de apenas 19 anos.

O portal podem buscar em uma base de dados se algum de seus dados está disponível publicamente. Especialistas, porém, questionam a legalidade e segurança do serviço. O desenvolvedor nega interesse financeiro e diz que trabalha só para custear as despesas e "manter o site funcionando".

Para consultar se seus dados foram vazados, é preciso digitar CPF e data de nascimento. A seguir, o portal encaminha o usuário para uma lista, que informa quais dados foram e quais não foram expostos pelo megavazamento. Acesse aqui.

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