O diretor da unidade de negócios Factory Automation e Alimentos e Bebidas da gigante de inovação e tecnologia Siemens, Rafael Dias, escreveu um artigo para o portal Globo Rural em que defende que o agronegócio brasileiro dê o "salto necessário" para adoção de blockchain e novas tecnologias na produção. O texto é desta quarta-feira, 8 de janeiro.

Segundo Rafael Dias, a tecnologia blockchain e as criptomoedas estão transformando a economia, mas também a troca de informações, serviços, e até alimentos.

A blockchain, diz o texto, pode evitar o desperdício de alimentos, que segundo a Organização das Nações Unidas para Agricultura e Alimentação (FAO) chega a 1/3 em todo mundo, além de evitar contaminação de alimentos, que segundo o mesmo órgão chegou a 12% da população global em 2019.

Ele escreve:

"O combate ao desperdício por meio do blockchain começa no campo, ao monitorar quanto tempo um animal fica no pasto, como as condições climáticas interferem na produção e aponta até contaminação por meio de doenças e pestes, como a que atingiu a China neste ano. Além da etapa inicial do ciclo produtivo, o cliente final – aquele que compra a carne - consegue até mesmo saber onde o produto esteve armazenado e como foi transportado até chegar até ele."

A FAO também publicou em 2019 um texto em que destaca a importância da blockchain no combate a doenças e pestes, que deu prejuízos de US$ 55 bilhões nos EUA no ano, e as fraudes no setor agro, que segundo a consultora PWC são responsáveis pela perda de US$ 40 bilhões/ano.

O diretor da Siemens diz que a iniciativa do sul-africano Johann Gever e do dinamarquês Niklas Nikolasen de criar, ainda em 2013, um "Vale do Silício" para criptomoedas e blockchain em Zug, na Suíça, aliada ao acesso à internet, à computação em nuvem e a acessibilidade cada vez maior da Internet das Coisas (IoT), levou a uma adoção maior da tecnologia blockchain nos mais variados setores.

Ele finalmente destaca a importância da blockchain para o agronegócio brasileiro dar "um passo à frente" no mercado:

"Para o Brasil, onde boa parte da economia é baseada na agricultura, a tecnologia é um passo a mais para a garantia de um melhor produto. O blockchain possibilitará ao produtor fidelizar o mercado e potencializar a eficiência em todos os elos da cadeia de produção. Vamos deixar de produzir apenas carne, para gerar dados e é essa mudança de paradigma no modelo de negócio que irá garantir a guinada que precisamos."