Se você estava pensando em ficar rico fazendo day trade usando plataformas de negociação e até fazendo trade de Bitcoin por que o amigo do seu vizinho largou o emprego para 'ficar só fazendo isso', talvez seja melhor repensar um pouco sua estratégia. Uma pesquisa da Fundação Getúlio Vargas (FGV) revelou que 97% das pessoas que afirmam fazer day trade estão no prejuízo e não no lucro.

A pesquisa foi conduzida por Bruno Giovannetti e Fernando Chague que acompanharam o desempenho de investidores e suas negociações entre 2012 e 2017 no mercado tradicional. Os numeros revelaram uma situação diferente da divulgada por influencers, youtubers e divulgadores em redes sociais.

"De todos que tentaram alguma coisa, 92,1% pararam em menos de um ano. Dos que seguiram – aqueles que fizeram operações diárias por ao menos 300 pregões – 97% perderam dinheiro. Nos 3% que saíram no azul, 2,6% ganharam menos do que 300 reais por dia (ou até 6.000 reais em um mês com 20 dias úteis)", detalhou a revista Exame.

Entranto, apesar da falta de sucesso, a maioria não parou e aumentou ainda mais o prejuízo; quanto mais a pessoa insistiu em continuar, mais vezes perdeu, levando, Giovannetti, um dos pesquisadores, a declarar que obter ganhos com esta atividade esta muito mais relacionada a 'sorte' do que a 'técnica'.

“É muito mais parecido com cassino, em que, à medida em que a pessoa vai repetindo as jogadas, a chance de continuar acertando diminui. As pessoas que fazem day trade não melhoram com o tempo. Em qualquer atividade normal, o profissional vai melhorando com a experiência. No day trade não, e isso aparece de maneira muito clara nos dados. A chance de ganhar cai com o tempo. Nenhuma outra atividade é assim, você faz, faz, faz e não melhora. Só cassino, que é pura sorte. Day trade é igual, pura sorte. Se fosse algo que dependesse de habilidade, o certo seria que, à medida que vai treinando, a pessoa fosse melhorando, mas não é o que acontece" destacou.]

Segundo ele, acreditar que day trade pode ser usado como fonte de renda é uma ilusão completa e totalmente impensável.

"A grande conclusão é que achar que dá para viver de day trade como a sua fonte de renda é uma viagem completa. Isso não existe, os únicos que estão ganhando dinheiro com isso são os que vendem curso. Mas isso não significa não fazer de jeito nenhum. Se você gosta de faer day trade porque se diverte, porque é uma maneira de acompanhar e aprender com o mercado, não tem problema, faça de vez em quando. É como um jogo, um lugar para apostar dinheiro. Você não vai viver de jogo. E, como em um jogo, tem que tomar cuidado para não viciar." disse

Como noticiou o Cointelegraph, a Faculdade Getúlio Vargas, FGV, que tem uma parceria com a Ripple, responsável pelo desenvolvimento da criptomoeda XRP, terá, em seu campus no Rio de Janeiro, um dos primeiros cursos de Ciência de Dados do Brasil. O curso também abordará Bitcoin e criptomoedas.

A primeira turna começará em 2020 e o foco do curso é a 'ciência' dos algoritimos e terá duração de 4 anos, com pilares estabelecidos em computação e a estatística, "São áreas correlatas à Ciência de Dados. O terceiro pilar é a própria ciência, com disciplinas como Análise Exploratória de Dados e Visualização, na qual o aluno vai não só discutir como analisar os dados, mas também seu design", afirma coordenador do curso da FGV-RJ, Yuri Saporito.