Investidores e clientes de exchanges de criptomoedas brasileiras anunciaram, em comunicado enviado ao Cointelegraph nesta terça-feira (23), a criação da Associação dos Clientes de Corretoras de Criptoativos (ACCCripto), destinada, entre outros pontos, a atuar em prol dos interesses de pessoas que enfrentam problemas com empresas da área.

Segundo o comunicado, a organização sem fins lucrativos foi criada por clientes com dificuldades para receber valores custodiados pelas corretoras do Grupo Bitcoin Banco - como a NegocieCoins. Ainda segundo o comunicado, a Associação conta com o suporte jurídico do Dr. Antonio Rueda, Presidente da Comissão Especial de Criptomoedas e Blockchain, do Conselho da OAB Federal.

Além disso, a entidade tem o apoio dos deputados Felipe Francischini (PSL/PR) e Júnior Bozzella (PSL/SP), que fazem parte da Comissão Especial do Projeto de Lei 2060/2019, que visa discutir a regulamentação de criptomoedas no Brasil.

A ACCCripto, segundo informa o comunicado, busca também uma atuação ampla para diminuir o “risco para clientes e corretoras de criptoativos”.

A associação já tem logomarca e, segundo Diego Martins, um dos responsáveis por sua criação, até o dia 10 de agosto haverá um site para cadastro na instituição. 

“Em face desses problemas, que teve como motivador a crise existente na ‘maior corretora do Brasil’, a Negociecoins, surge a associação formada por entusiastas, investidores, estudiosos de criptomoedas e pessoas preocupadas com que casos como o atual do Grupo Bitcoin Banco, não ocorram mais", diz o texto, que enumero alguns dos objetivos da Associação.

"Defender os direitos de clientes de corretoras de criptoativos", "criar mecanismos que diminuam os riscos para clientes de corretoras de criptoativos", "estabelecer parceria com Ministério Público", "discutir problemas e soluções para o segmento de criptoativos no Brasil" e "identificar e denunciar esquemas de pirâmide financeira que usem criptoativos" estão entre eles. 

A Associação também pretende ajudar vítimas de esquemas de pirâmide e outros problemas e também lançar um sistema de "verificação" de empresas da industria de criptomoedas, com o uso de um "selo de corretora verificada" àquelas que cumprirem determinados requisitos.

Ainda segundo Martins, a Associação não é focada no Grupo Bitcoin Banco, mas tem o caso envolvendo a empresa como referência para iniciar um movimento destinado a atuar em favor dos clientes das exchanges no Brasil.

“Estamos chegando num momento decisivo no Brasil,  por tantos problemas envolvendo corretoras e a falta de organização do segmento. São quase  R$ 40 milhões em crédito dentro de uma única corretora, e isso apenas no grupo ao qual pertencemos. É importante dizer que não é nada pessoal contra o Grupo Bitcoin Banco. A crise lá instalada apenas foi o estopim para uma necessidade que já existia”, disse.

Em nota o Grupo Bitcoin Banco destacou que desconhece a entidade, mas que valoriza a sua criação.

“O Grupo Bitcoin Banco, como participante do mercado de criptomoedas brasileiro, entende ser positiva a atuação de entidades e pessoas que trabalhem pelo desenvolvimento de um ambiente saudável, competitivo e transparente do setor, pautando-se pela responsabilidade, isenção, conhecimento e boa-fé", diz nota enviada ao Cointelegraph, que prossegue:

"O GBB desconhece a entidade mencionada. Até o momento não foi informado registro formal nem tampouco um responsável legal. Também não encontramos site da referida associação na internet e o documento que nos foi encaminhado pela reportagem e é atribuído à associação é apócrifo, não consta nenhum endereço, telefone ou site de internet. Por isso, não pode tecer comentários específicos sobre essa instituição.”

Os problemas envolvendo empresas do GBB começaram há quase 3 meses, com a descoberta de uma fraude que provocou o congelamento de fundos de clientes da exchange NegocieCoins.

Mais recentemente, como reportou o Cointelegraph, o Grupo Bitcoin Banco, por meio da Get4Bit, plataforma de e-commerce e uma das empresas do grupo, anunciou que recebeu cerca de 1 mil iphones 8 e que clientes com saques em atraso na NegocieCoins, exchange do GBB, terão prioridade na aquisição dos equipamentos.