O CEO da MicroStrategy, Michael Saylor, deu uma entrevista ao Valor Investe comentando a forte entrada da empresa no mercado de Bitcoin (BTC) desde o segundo semestre de 2020 e as motivações para a empresa buscar alternativas financeiras ao mercado tradicional.

Segundo Saylor, a MicroStrategy, que já comprou 71.000 BTC nos últimos 8 meses, já faturou US$ 2 bilhões com a criptomoeda, convertendo 100% do seu balanço em dólar no Bitcoin, não viu clientes abandonando os investimentos, pelo contrário:

“Separamos US$ 250 milhões para Bitcoins e outros US$ 250 milhões para recompra de ações. Anunciamos a intenção em julho, quando a ação custava US$ 120, e oferecemos comprar com lucro, por entre US$ 122 e US$ 140. Mas antes do fim do prazo da oferta, a ação passou de US$ 140. Ou seja: no mercado, havia gente achando que a ideia era tão boa que valia pagar mais do que nós mesmos pagaríamos”

Hoje, as ações da MicroStrategy subiram 580%, negociadas na Nasdaq a US$ 817. A empresa recomprou US$ 60 milhões de suas ações desde que começou a aportar investimentos no Bitcoin, em iniciativa considerada pioneira entre grandes instituições.

Saylor diz que os impactos da pandemia foi que alertaram a MicroStrategy de que a empresa precisaria se proteger da emissão trilionária de dólares pelo governo dos EUA:

“O início da pandemia foi transformador. A resposta dos bancos centrais, tentando conter os danos com expansão monetária, gerou um problema para todo investidor e empresário que simplesmente não se pode mais ignorar: o dinheiro tradicional está derretendo”

Desde que entrou no mercado de Bitcoin, Saylor tem sido uma figura constante na mídia, tornando-se uma espécie de embaixador do criptomercado. Hoje um Bitcoiner convertido, ele tem se dedicado a estimular empresas e pessoas a entrarem no mercado de BTC como forma de hedge:

“O dinheiro tradicional perde entre 1% e 2% ao mês, é o ritmo atual da expansão monetária. Para resolver seus problemas, o governo da noite para o dia imprime US$ 1 trilhão. É um roubo de energia do resto dos ativos, como ações, cujos preços estão atrelados ao dólar. O custo de capital na última década foi de 5% ao ano, e, até 2030, estima-se algo entre 10% e 15% ao ano. Qualquer coisa em tesouraria vai ter de render mais que isso para gerar valor ao acionista, e isso é impossível com dívida privada ou títulos públicos. A maioria ainda não entendeu, mas os investidores mais espertos já sabem que precisam de outra reserva de valor.”

Ele também explica que não se empolga com a recuperação dos mercados de ações, que nos últimos meses têm batido recordes de antes da pandemia. Segundo ele, é a desvalorização do dólar quem comanda a alta de preços, e não a valorização das empresas:

“Nasdaq, Dow Jones, S&P, todos estão nos recordes. Você pode ler isso como ‘uau, que incrível, as empresas estão arrasando’, ou pode ler como ‘puxa, minha cesta de ativos está inflacionando mais rápido que meu salário’. Para mim, as companhias não estão indo melhor, a moeda usada por elas é que está entrando em colapso”.

O empresário formado pelo MIT já prometeu "nunca vender" os Bitcoins da MicroStrategy. Segundo ele, todas as empresas do mundo precisam se proteger economicamente, inclusive as listadas na Ibovespa:

“Podemos guardá-los por cem anos. Podemos guardá-los por mil anos! Porque depois que acabarem, quem quiser entrar terá de comprar dentro da própria rede. Há uma força gravitacional que atrai não só o dinheiro dos grandes players, mas também suas estruturas – tecnológicas, jurídicas etc. Por isso, nos próximos anos, vamos ver mais e mais empresas em todo o mundo convertendo seus balanços para Bitcoin.”

Apontando para o futuro, Saylor enxerga um papel para as finanças descentralizadas para proteger a população economicamente. Segundo ele, as DeFi podem lastrear operações de crédito das populações e trazer valorização para quem pode deixar o dinheiro empenhado por algum tempo:

“A pessoa não vai nem precisar liquidar seus bitcoins em moedas fiduciárias; ela poderá fazer empréstimos escorados nas criptos e usar o dinheiro que tomou para pagar as contas do dia a dia. Ainda assim, estará ganhando. A estrada para a prosperidade está ficando cada vez mais longa quando se dirige usando dinheiro. A pergunta a se fazer é: daqui a uma década, quero ter perdido quase tudo o que guardei, ou quero ter dobrado minha poupança? É tão, mas tão melhor que nem sequer é engraçado.”

LEIA MAIS