Cubanos usam Bitcoin como pagamento para fugir das sanções dos EUA

Assim como ocorre na maioria dos países em crise econômica - como Venezuela e Argentina - as criptomoedas estão ganhando terreno também em Cuba, segundo reportagem do portal "CriptoNoticias" publicada em 18 de agosto.

De acordo com a reportagem, comunidades de Bitcoin têm surgido na ilha caribenha e proliferado a adoção das criptomoedas na economia altamente controlada pelo governo central.

"Não somos uma casa de câmbio, somos a primeira comunidade de criptomoedas em Cuba", segundo Alex Sobrino, fundador e líder do CubaCripto. 

Na opnião de Sobrino, a principal barreira para o desenvolvimento da industria das criptomoedas na ilha é o controle e a falta de informação.

“Aqui em Cuba não há treinamento em criptomoedas. Minha equipe e eu tentamos impulsionar essa cultura e fizemos isso de forma sólida, porque somos uma comunidade que se ramificou e há muitas comunidades que abrigam comerciantes, entusiastas e investidores. Talvez não com a força que existe na Venezuela, mas nós existimos e nos consolidamos cada vez mais.”, disse

Sobrinho assinala que CubaCripto não possui sede física. Seu espaço vital é a rede de mensagens Telegram (inicialmente era o WhatsApp) e seus membros são de várias províncias do país, alguns deles localizados no exterior.

Ele acrescenta que os bate- papos de CubaCripto se transformam em salas de aula virtuais para os moradores de Cuba, centros de intercâmbio ou discussões estratégicas

Nesse sentido, ele explica que a comunidade é segmentada em vários canais especializados por assunto, onde eles falam sobre criptocorrências, Forex e outras estratégias associadas com o que Sobrino chama de "financiamento criptomoeda" .

Sobre os benefícios que eles trouxeram criptoactivos o mercado cubano, Sobrino observou que substituiu meios eletrônicos de pagamento, porque em Cuba têm acesso restrito aos cartões   Visa e Master Card.

"Nossos cartões não funcionam para fazer pagamentos online em plataformas internacionais, muito menos em lojas de varejo. As criptomoedas têm sido uma bênção para nós porque conseguimos fazer pagamentos por serviços e recargas de telefone e Internet usando criptomoedas. Você também pode fazer reservas de hotéis em sites que aceitam esse método de pagamento”, revela

Outra vantagem, segundo a reportagem, é a obtenção de uma maior rentabilidade por meio das criptomoedas:

"Os nossos salários são muito baixos (entre 20 e 30 CUC) e, apesar dos aumentos salariais, isso não é suficiente. Portanto, tentamos encorajar o uso de criptomoedas, apesar do silêncio oficial."

Como reportou o Cointelegraph, os volumes de negociação de Bitcoin têm atingindo recordes na Venezuela impulsionado pela crise econômica na nação e pelas sanções dos EUA.