Em forte queda, o mercado de criptomoedas operava a um market cap de US$ 3,1 trilhões (-8%) na manhã desta segunda-feira (3), quando o Bitcoin (BTC) era trocado de mãos em torno de US$ 95,2 mil (-4,2%) com dominância de mercado elevada a 60,8%, sentimento dos investidores recuada ao medo (39%) e a maioria das principais altcoins no vermelho.
O que se apresentava como banho de sangue do BTC e dos principais tokens também podia ser percebido pela saída líquida de cerca de US$ 380 bilhões nas últimas 24 horas, período em que a negociação de Tether (USDT), stablecoin lastreada ao dólar americano, aumentou cerca de 200% em possível movimento de busca por proteção dos investidores de criptomoedas.
O tombo, que já era percebido em outros mercados no encerramento de sexta-feira (31), quando o S&P 500 e o Nasdaq encerraram respectivamente a 6.040,63 (-0,50%) e 19.627,44 (-0,28%), sucedia o pânico dos investidores depois de o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, assinar, no sábado (1º), um decreto impondo tarifas de 10% para produtos importados da China e 25% para importações do Canadá e do México.
A medida da Casa Branca é vista como uma ameaça à inflação pelo repasse de custos aos consumidores, já que os três países são os principais parceiros comerciais dos EUA e representam US$ 1,4 trilhão em bens importados, cenário desfavorável a mercados como o de criptomoedas.
Em relação ao Canadá, os produtos do setor de energia serão taxados em 10%, já que o país é a maior fonte estrangeira de petróleo dos EUA, além de ser o principal fornecedor de grãos, carne e açúcar, enquanto o México ocupa a liderança em fornecimento de frutas e vegetais.
Em outra ofensiva do governo Trump que pode servir de catalisador para volatilidade das criptomoedas, o secretário de Estado Marco Rubio fez ameaças de “tomar medidas” em relação ao Canal do Panamá, caso o país não reduza o que, segundo o governo Trump, representa influência excessiva da China sobre o canal.
No mercado cripto, a turbulências das últimas medidas de Trump também eram percebidas pela liquidação de traders alavancados em US$ 2,27 bilhões (+336%). Segundo dados da plataforma Coinglass, nas últimas 24 horas foram US$ 1,89 bilhão em posições compradas (long), qua apostavam na alta de preços, ante US$ 382 milhões em posições vendidas (short), que apostavam na queda de preços.
Mapa de calor de liquidações em criptomoedas. Fonte: Captura de tela/Coinglass
O índice Cboe Volatility Index (VIX), conhecido por índice do medo, encontrava-se avançado a 20,28 pontos (+28,16%). Já os fundos negociados em bolsa (ETFs) estadunidenses baseados em negociação à vista (spot) de Bitcoin e de Ethereum (ETH) encerraram o último dia de janeiro com respectivas entradas líquidas de US$ 318,56 milhões e US$ 27,78 milhões, segundo dados da plataforma SoSoValue.
No grupo das principais altcoins em capitalização de mercado, o FIL derretia a US$ 3,16 (-26%), o WIF recuava a US$ 0,74 (-25,7%), o SPX se retraía a US$ 0,78 (-25,3%), o TIA retornava a US$ 2,94 (-24,4%), o GALA tombava a US$ 0,021 (-24,2%), o ATOM caía a US$ 4,29 (-24%), o ARB despencava a US$ 0,43 (-24%), o FARTCOIN avançava a US$ 0,66 (+8,7%), o DEXE era trocado por US$ 22,29 (+5%), o HYPE atingia US$ 23,01 (+2,6%) e o OM chegava a US$ 5,19 (+2%).
Quanto às altas de dois dígitos percentuais, em menor número, o SOS era negociado por US$ 0,99 (+38,3%), o SHIBTC se convertia em US$ 12,02 (+21,4%), o ARC chegava a US$ 0,21 (+13,3%), o ALPHA era negociado por US$ 0,098 (+36,6%), o DF representava US$ 0,096 (+18%), o CUROS pareava US$ 0,0093 (+12,8%) e o GRIFT era transacionado por US$ 0,044 (+40%).
Na semana anterior, a memecoin do pai de Elon Musk atingiu 2.000% em semana que também foi agitada para o Bitcoin, conforme noticiou o Cointelegraph Brasil.