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Caio Jobim
Escrito por Caio Jobim,Redator
Lucas Caram
Revisado por Lucas Caram,Editor da Equipe

Grandes bancos estão 'bem posicionados' para capturar usuários de criptoativos, indica pesquisa

Estudo da Capco revela que 60% dos investidores de ativos digitais estariam dispostos a utilizar as instituições bancárias nas quais já possuem conta para custodiar e negociar suas criptomoedas.

Grandes bancos estão 'bem posicionados' para capturar usuários de criptoativos, indica pesquisa
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Estudo recente da Capco, consultoria global de gestão e tecnologia dedicada ao setor de serviços financeiros do Grupo Wipro, projeta que a capitalização do mercado de criptomoedas deve chegar a US$ 24 trilhões até 2027 e as instituições financeiras tradicionais estão bem posicionadas para capturar a demanda decorrente desse crescimento, oferecendo serviços de custódia e negociação de ativos digitais.

De acordo com o relatório “Capco Intelligence: Considerações sobre custódia de ativos digitais para empresas do mercado de capitais)", “os ativos digitais estão crescendo em popularidade e há uma oportunidade para as instituições financeiras serem um balcão único para armazenar esses ativos.

Segundo Alexandre Bueno, gerente sênior da Capco e head do Capco Digital Lab São Paulo, as instituições bancárias devem focar nos clientes do varejo, que muitas vezes não têm o conhecimento técnico e as ferramentas necessárias para gerenciar seu patrimônio de forma segura. E acrescenta:

"“Uma pesquisa recente mostra que 60% dos proprietários de criptomoedas usariam sua instituição financeira para investir em criptomoedas. Outros 32% disseram que poderiam fazê-lo. É uma oportunidade clara para os bancos de varejo desenvolverem custódia digital para os consumidores. À medida que a aceitação dos ativos digitais cresce, instituições financeiras tradicionais começam a oferecer um conjunto maior de serviços que atendem a esta nova classe de ativos. Instituições financeiras como BNY Mellon e Fidelity oferecem serviços completos de custódia de criptomoedas para gestores de ativos. Este é um sinal importante para o mercado de que a adoção de segurança generalizada está a caminho. Os ativos digitais não estarão mais associados à periferia da sociedade econômica”.

A demanda decorrente da popularização da adoção de criptoativos cria oportunidades para as instituições financeiras oferecerem seus serviços aos clientes em todo o mundo. Para justificar sua colocação, Bueno destaca que há cinco anos existiam menos de 15 milhões de carteiras digitais registradas. Hoje, este número já se aproxima dos 60 milhões.

Segundo o relatório da Capco, as institiuições financeiras tradicionais já contam com a confiança dos investidores, têm envergadura no mercado, histórico de relacionamentos com os clientes e protocolos de segurança para proteger, gerenciar e manter os ativos tradicionais e agora também os digitais.

A pareceria com empresas criptonativas também surgem como uma opção, destaca Bueno, projetando a integração entre empresas de serviços financeiros tradicionais com empresas do nascente ecossistema de ativos digitais:

“Parcerias com terceiros permitem que instituições financeiras tradicionais ofereçam um amplo escopo de serviços de custódia de ativos digitais. Empresas de ativos digitais como, por exemplo, Coinbase, Anchorage e BitGo, estão oferecendo diferentes níveis de cobertura de seguro aos clientes usando suas plataformas."

No entanto, o estudo sugere que as instituições precisam investir em questões como segurança, escalabilidade e interoperabilidade com vistas a construção de uma infraestrutura apropriada.

A custódia de criptoativos tem diferenças importantes em relação à custódia de ativos tradicionais. A principal é que existem, hoje centenas, ou até mais, de criptoativos e muitos deles estão abrigados em sua própria rede blockchain.

Regulação

A regulação também vai impor políticas institucionais que precisarão se adequar às leis de suas respectivas jurisdições, explica Bueno:

“Com o crescimento do setor de ativos digitais surgem oportunidades, riscos e desafios. Os depositários devem cumprir com o cenário regulatório em evolução global. Não só precisam entender as leis domésticas, mas também precisam seguir regulamentações internacionais para atender clientes de outros países. Estruturas Anti-lavagem de Dinheiro/Conheça Seu Cliente (AML/KYC) devem ser muito rigorosas. É imprescindível que os guardiões estejam cientes desses desafios e ofereçam soluções para beneficiar seus clientes”.

Conforme noticiou o Cointelegraph Brasil, em janeiro entrou em operação o serviço de custódia de criptomoedas para grandes investidores da 2TM, holding que controla  a exchange Mercado Bitcoin.

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