Os criminosos cibernéticos aceleraram a transição do uso de mixers de criptomoedas para pontes cross-chain no ano passado, de acordo com a empresa forense de blockchain Elliptic.
Em junho e julho, quase todas as criptomoedas roubadas foram lavadas por meio de pontes cross-chain. Os dados da Elliptic mostram uma reversão completa em relação ao primeiro semestre de 2022.
Em uma postagem divulgada em seu blog oficial em 18 de setembro, a Elliptic explicou que a crescente tendência de crimes que utilizam pontes cross-chain se deve ao efeito de "deslocamento do crime." Isso geralmente ocorre quando os criminosos são obrigados a adotar para um novo método para realizar suas atividades ilícitas quando o método dominante se torna excessivamente policiado. No entanto, a mudança para pontes cross-chain está aumentando além das projeções.

Entre julho e setembro de 2022, a proporção de fundos lavados que passam por mixers em comparação com aqueles que passam por pontes cross-chain mudou, justamente na época em que o Escritório de Controle de Ativos Estrangeiros dos Estados Unidos (OFAC) aplicou sanções ao Tornado Cash, disse a empresa.
A Elliptic disse que muitos cibercriminosos, como o Lazarus Group, um grupo de hackers apoiado pela Coreia do Norte, migraram para a ponte da Avalanche após as sanções.
Essa mesma ponte foi supostamente usada recentemente pelo Lazarus Group para lavar alguns dos fundos roubados na exploração de US$ 41 milhões da Stake em 4 de setembro, de acordo com a empresa de segurança de redes blockchain CertiK.
Os mixers de criptomoedas registraram um pequeno pico de utilização entre novembro de 2022 e janeiro de 2023, devido ao fechamento da RenBridge. A ponte foi fechada em dezembro depois que a Alameda Research, uma de suas principais fontes de financiamento, entrou em colapso em meio à falência da FTX.
A Elliptic estima que a RenBridge movimentou US$ 500 milhões em fundos lavados durante o período em que se manteve em operação.
No entanto, pouco tempo depois, os criminosos voltaram a usar as pontes cross-chain para tentar ocultar suas atividades ilícitas – em um ritmo ainda mais acelerado do que antes.
Chain-hopping via bridges has become one of the most popular money laundering methods for illicit actors. That's been a problem for crypto investigators — until now. Meet TRM Phoenix — automated cross-chain tracing through 12+ bridges & services: https://t.co/OziATjlO4P pic.twitter.com/7QsLthn180
— TRM Labs (@trmlabs) August 25, 2022
Transferências on-chain por meio de pontes se tornaram um dos métodos mais populares de lavagem de dinheiro para agentes ilícitos. Isso tem sido um problema para os investigadores de criptomoedas – até agora. Conheça o TRM Phoenix – ferramenta de rastreamento automatizado de cadeias cruzadas por meio de mais de 12 pontes e serviços:
— TRM Labs (@trmlabs)
A Elliptic disse que os criminosos atualmente têm preferência por pontes cross-chin, pois é difícil para as empresas forenses de blockchain rastrear atividades ilícitas entre cadeias de forma escalável.
"Os criminosos estão cientes de que as soluções legadas de análise de blockchains não têm os meios para rastrear atividades ilícitas entre blockchains ou tokens de forma programática ou escalável."
Além disso, muitos desses tokens roubados só podem ser trocados por meio de pontes cross-chain, sendo que a maioria desses serviços financeiros descentralizados não exige verificação de identidade, explicou a Elliptic.
A empresa estima que US$ 4 bilhões em criptomoedas ilícitas ou de alto risco foram lavadas por meio de pontes cross-chain desde 2020.
LEIA MAIS