Com 80% das consultoras migrando para o digital, Natura estuda adotar tecnologia blockchain

O ano de 2019 tem sido de grandes mudanças para a Natura, multinacional brasileira do setor de cosméticos, como a compra da Avon, a alteração de seu ticker, de NATU3 para NTCO3, e a possibilidade de adoção da tecnologia Blockchain. A informação é da Associação Brasileira de Empresas de Vendas Diretas (ABEVD).

No entanto, o processo de digitalização da empresa vem se intensificando desde 2015, de acordo com Luciano Abrantes, diretor de Inovação Digital da companhia, inicialmente com a expansão do Rede Natura, para vendas onlines, e com o lançamento do app Consultoria, para vendas em território nacional, também cresceu para outras partes da América Latina e Ásia.

De acordo com o diretor, atualmente, 80% das consultoras vendem digitalmente e com 1,4 milhões das 1,7 milhões da América Latina estando ligadas à plataforma digital.

“Continuamos a investir em inteligência artificial para acelerar e melhorar o atendimento de nossas consultoras e consumidoras”, afirma Luciano, que acredita que tais plataformas estão criando um novo perfil de consultoria, as “consultoras-influenciadoras”, utilizando de redes sociais como fonte de vendas.

“Esse novo perfil de consultora entende o potencial da Internet e sua convergência com nosso modelo de negócios, que, em sua essência, sempre foi uma rede social, mesmo antes do termo existir”.

Abrantes também afirmou que a Blockchain pode encontrar espaço em diversas áreas da empresa, apesar de não dizer quais planos foram traçados para a tecnologia na companhia.

“É uma ferramenta que tem potencial para ser adotada em diferentes áreas da empresa”.

No entanto, mesmo com todas as tecnologias implementadas, da Blockchain à Inteligência Artifical, do app ao site, as vendas “porta-a-porta” serão parte das políticas da companhia.

Aquisição da Avon e troca de ticker

A reestruturação da Natura deu um grande passo com a compra da Avon Products, recentemente aprovada pela Comissão Europeia, órgão executivo da União Europeia, e pelo CADE (Conselho Administrativo de Defesa Econômica), anunciada em maio por US$ 3,7 bilhões. O novo grupo foi avaliado em US$ 11 bilhões e de acordo com a empresa, o faturamento anual será superior a US$ 10 bilhões.

“A reestruturação societária é oportuna para que a Natura Cosméticos passe a ser detida pela Natura & Co, viabilizando a subsequente integração da base acionária e das operações da Avon, sem que isso resulte em incremento dos índices de endividamento da Natura”, notificou a companhia brasileira.

Após as aprovações, a Natura informou, no dia 16 de dezembro, que mudará seu ticker NATU3 para NTCO3, que começou a negociação no último 18, sem ajuste ou alteração de valor.