Banqueiros centrais olham para o Bitcoin com inveja e o ódio

No meu primeiro artigo para a Cointelegraph, tentei explicar o valor do Bitcoin aos cidadãos dos países que praticam controles de capital, que geralmente são países com menos desenvolvimento econômico.

Um dia depois, leio um artigo em que o presidente do Banco Central do Brasil expõe sua falta de compreensão e apreciação sobre a moeda digital, que poderia ser uma benção para os cidadãos do meu país natal, o Brasil.

Eu acredito que a melhor maneira de explicá-lo é através de exemplos práticos, então vou resumir minha experiência com a moeda legal do meu país.

Nasci em 1981, durante a década de hiperinflação no Brasil, lembro que era normal ver os supermercados lotados durante a primeira semana do mês. Isso ocorria porque no dia do pagamento, todos compravam mantimentos para o mês inteiro, uma vez que os preços eram alterados todos os dias, às vezes mais de uma vez por dia.

Nosso dinheiro perdia valor a cada minuto, enquanto a máquina de impressão do governo funcionava a um ritmo frenético.

Durante mais de 10 anos de hiperinflação, vários líderes sentados na cadeira do Ministro das Finanças ou o Presidente do Banco Central tentaram reduzir ou minimizar a inflação. Eles não fizeram isso da maneira mais difícil, e da maneira que poderia ter funcionado, cortando os gastos do governo. Em vez disso, esses homens tinham sonhos delirantes, vindo com planos econômicos que achavam que eram mais que milagrosos.

Um desses planos marcou definitivamente o povo brasileiro. Durante o governo do presidente Fernando Collor, a ministra das Finanças, Zélia Cardoso de Mello, confiscou todo o dinheiro que os brasileiros mantinham nos bancos. A idéia era simples: sem dinheiro não haveria demanda de produtos, então a inflação seria controlada.

Obviamente, isso não funcionou para salvar a economia, mas devastou muitos brasileiros. Alguns, como meu avô, confiaram em suas economias de vida para pagar seus cuidados médicos. Essas pessoas foram feridas gravemente.

O que a história nos ensina?

Em primeiro lugar, uma moeda deflacionária como o Bitcoin, cujo modelo econômico se baseia em pensadores como Frederich Hayek, é valioso para todos os cidadãos de países que temem a inflação.

Em segundo lugar, os habitantes de países que já experimentaram um caos econômico sabem o quanto é valioso ter ativos que não possam ser confiscados durante a noite. Hoje temos exemplos como a Venezuela e alguns anos atrás, a Argentina.

Há um ditado popular no Brasil que diz que um cão que foi mordido por uma cobra tem medo de uma salsicha. Na América, você pode dizer "uma vez mordido, duas vezes tímido". Aqueles que viveram a hiperinflação podem realmente entender o valor de uma moeda deflacionária.

É por isso que amamos o Bitcoin e também por isso a maioria dos banqueiros centrais o odeia. No fundo, eles têm inveja, até mesmo medo, do modelo econômico do Bitcoin. O Bitcoin conseguiu o que é impossível para eles, a criação da primeira moeda verdadeiramente deflacionária que está livre da má administração dos governos.