Em recente entrevista à CNN, Brad Garlinghouse, CEO da Ripple acusou o Bitcoin de possuir uma centralização de seu poder de mineração na China e foi alvo de críticas dos entusiastas do principal criptoativo do mundo, que usaram as redes sociais para dizer que o executivo estaria disseminando informações falsas sobre o tema.

Garlinghouse criticou o Bitcoin e o Ethereum pelo suposto grau de centralização em sua mineração:

“A China controla a blockchain do Bitcoin. Existem quatro mineradoras na China que representam mais de 60% da capacidade de mineração e 80% da capacidade de mineração é baseada na China para Bitcoin e Ether.”

Defensores das duas criptomoedas, incluindo alguns analistas de renome no meio, logo responderam, afirmando que Garlinghouse estaria espalhando informações falsas sobre o Bitcoin.

O analista financeiro de criptomoedas e ex-eToro, Mati Greenspan, observou em sua conta no Twitter:

"O que é isso, Brad? Você sabe que isso não é verdade! Você está tão nervoso que sente a necessidade de mentir por entre os dentes. 'Quatro mineradoras controlam 60% da capacidade de mineração de bitcoins?' Eu acho que você quis dizer quatro pools de mineração? Talvez isso tenha sido apenas um deslize de língua?"

Greenspan afirmou que o domínio do poder de hash concentrado na China é próximo a 68%, e não 80%. Além disso, afirmou que é "falso dizer que grupos de mineradoras (pools) e mineradoras são a mesma coisa.

Principal analista e fundador da Adamant Capital, Tuur Demeester observou que já foi ultrapassado o ponto em que o domínio citado teria efeito devastador no Bitcoin. Ele também usou o Twitter para se manifestar:

"É por isso que estudar a história do Bitcoin é tão importante. Os mineradores chineses tentaram controlar a blockchain do Bitcoin em 2017 (B2X hard fork) e falharam, e na realidade nunca mudaram um pingo do código. Além disso, um pool de mineração é diferente de uma mineradora, e apenas 60% do hashrate total está na China."

Garlinghouse também afirmou que as criptomoedas e a tecnologia blockchain fornecerão uma infinidade de serviços e não haverá um único vencedor. Segundo ele, diferentes ativos e plataformas atenderão a diferentes usuários.

No passado, Andreas Anotonopoulos, um dos principais educadores de Bitcoin observou que, mesmo que a China decida encerrar completamente a mineração, isso afetaria o sistema apenas no curto prazo.

Segundo ele, o "jogo" criado pelo sistema de consenso Proof of Work - utilizado pelo Bitcoin - faz com que exista uma competição para receber as recompensas geradas a cada bloco minerado.

Assim, com uma súbita redução na taxa de hash, a dificuldade de mineração diminuiria e o restante 40% dos mineradores ganhariam recompensas elevadas. Isso atrairia novos players para o sistema e a taxa total de hash seria restaurada novamente.

Brad Garlinghouse não é o único a acusar o Bitcoin de centralização: um pequisador de Harvard acredita que a governança do principal ativo digital do mercado é centralizada.