O Banco Central do Brasil está estudando a emissão de uma moeda digital de Banco Central (CBDC) para facilitar a vida do turista que vem ao país.
Assim, segundo declarou ao jornal Valor, Aristides Andrade Cavalcante Neto, chefe-adjunto do departamento de tecnologia da informação do BC, a proposta não é um "Real Digital" amplo que atenda todos os brasileiros e possa substituir o Real físico.
"Os bancos centrais têm estudado a importância sistêmica dos pagamentos digitais. Há jurisdições com oligopólios como na China, onde operam Wechat e Alipay, ou na Suécia, mercado dominado por um consórcio de bancos. No Brasil, a CDBC será um meio alternativo para o turista estrangeiro usar a moeda local sem precisar abrir uma conta para acessar o Pix”, explica Cavalcante ao Valor.
CBDC
Porém, o escopo de como funcionará efetivamente uma possível moeda digital nacional ainda não está definido.
Assim, segundo o diretor do BC o Grupo de Estudo de CBDC dentro do Banco Central, as conclusões serão apresentadas ao colegiado do BC para que este possa decidir os rumos do projeto.
“O estudo será submetido à análise da diretoria colegiada para que ela decida os próximos passos; o que não deve ocorrer antes de 2022”, finalizou.
CBDC não é o fim do dinheiro no Brasil
O Banco Central já havia declarado à Câmara dos Deputados que um eventual processo de criação de uma moeda digital para o Real não significaria o fim do dinheiro impresso.
"Não existe nenhum projeto em andamento e com prazo definido para substituir o dinheiro físico por moeda digital", declarou o Banco Central a Câmara.
O chefe-adjunto do BC porém confirmou as declarações de Campos Neto de que um CBDC para o Brasil deve ser criado como parte do PIX, o sistema de pagamentos instantâneos do BC.
Assim, segundo ele, a possível emissão de um CBDC será um "complemento" do PIX.
Esta é a mesma linha das declarações do presidente do BC, Roberto Campos Neto que vem afirmando que o CBDC será um dos processo do PIX e que isso poderia ser realidade em 2022.
Assim, durante um dos eventos do PIX, ele destacou que com a digitalização da economia a moeda nacional precisa ser aperfeiçoada justamente para atender esta nova demanda da população.
"No nosso caso é muito importante o PIX porque vemos daqui para frente a união de uma forma de pagamento instantâneo, aberto e interoperável. com um sistema de dados aberto. Onde ele se encontram em algum momento lá na frente junto com uma moeda que tem que ser aperfeiçoada", disse.
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