O Banco Central do Brasil (BACEN), ganho um prêmio mundial por conta da iniciativa de sandbox do LIFT (Laboratório de Inovações Financeiras e Tecnológicas). A iniciativa cria um ambiente propício para fintechs e startups desenvolverem soluções inovadoras para o mercado financeiro, usando contratos inteligentes, blockchain entre outras tecnologias.
Segundo reportagem do portal JOTA, publicada em 05 de setembro, a premiação ocorreu durante evento da Central Banking no qual os jurados entenderam que as abordagens do BCB são um fomento a inovação. As iniciativas fazem parte da agenda BC#, que busca aliar inovação tecnológica a uma agenda microeconômica da instituição.
"Ela norteará o trabalho do BC durante os próximos anos e está estruturada em quatro dimensões: inclusão, competitividade, transparência e educação financeira". diz o Banco Central
Segundo o JOTA, no LIFT não há suspensão de exigências regulatórias, então não se trata de uma sandbox regulatória, mas de um novo tipo de instrumento, chamado pelos criadores de sandbox setorial.
Neste tipo de sandbox, é possivel apoiar o teste de soluções inovadoras antes de irem a mercado, assim ele cria espaço para fintechs e empresas financeiras "colaborarem em novos produtos e provas de conceito num ambiente fora do mercado e sem consumidores. Não há implicações regulatórias em testar fora do mercado"
"O ambiente de sandbox setorial pode ser usado para simular o comportamento de consumidores para testar aplicações e, até mesmo, para preparar um novo produto para submissão à sandbox regulatória", destaca a reportagem citando a vantagem que levou o BCB a vencer a premiação.
Além disso, este tipo de iniciativa permite a integração de parceiros externos a autarquia e a administração pública. No caso do BCB, um acordo de cooperação técnica foi assinado com a Federação Nacional das Associações de Servidores do Banco Central (Fenasbac) e possibilitou a integração da Microsoft, IBM, AWS, Oracle, Cielo, R3 e Multiledgers no sandbox.
Dentro do LIFT, blockchain sempre esteve presente entre as ideias inovadores, por exemplo, em 2019, pelo menos duas iniciativas usam a tecnologia. A P2P Lending Blockchain, uma plataforma digital de concessão de crédito para pequenas e médias empresas e a BluPay, uma Switch de Pagamento Instantâneo em DLT Corda: pagamentos instantâneos com QR Code.
Para 2020 a expectativa é que o BACEN implemente uma nova sandbox que foi assinada em parceria com a Secretaria Especial de Fazenda do Ministério da Economia, a Comissão de Valores Mobiliários (CVM) e a Superintendência de Seguros Privados e que "surge como uma resposta as transformações que vem acontecendo no mercado de capitas que tem impulsionado o surgimento de novos modelos de negócios com tecnologias como DLT e blockchain."
"Essa iniciativa surge como resposta à transformação que vem acontecendo nos segmentos financeiro, de capitais e securitário. O uso de tecnologias inovadoras, como distributed ledger technology – DLT, blockchain, roboadvisors e inteligência artificial, tem permitido o surgimento de novos modelos de negócio, com reflexos na oferta de produtos e serviços de maior qualidade e alcance", disse o comunicado.
Este sandbox pode permitir a emissão de tokens e até de criptomoedas dentro de um ambiente controlado pelo BCB. O atual presidente do Banco Central, Roberto Campos Neto, é entusiasta de novas tecnologias e já chegou a dizer que estudou o bitcoin.
"Tenho estudado e me dedicado intensamente ao desenho de como será o sistema financeiro do futuro. Participei de estudos sobre blockchain e ativos digitais. Uma das contribuições que espero trazer para o Banco Central é preparar a instituição para o mercado futuro, em que as tecnologias avançam de forma exponencial, gerando transformações mais aceleradas”, afirmou na carta que encaminhou ao Senado no ínicio do ano sobre sua indicação a presidente do BCB.
Como noticiou o Cointelegraph, o Banco Central do Brasil anunciou recentemente o desenvolvimento de um sistema de pagamentos instantâneo para o Brasil e que o BACEN será o responsável por desenvolver a base de dados e administrar o sistema.
A ideia do Banco Central com o novo sistema é acabar de vez com operaçõs como TED e DOC e implementar uma rede que permitirá o envio de valores em alguns segundos 24h por dia, todos os dias da semana.
A medida pode favorecer a industria de Bitcoin e criptomoedas no pais, principalmente no caso de compra e venda, pois, permitirá operações como depósito e saque em exchanges também nos finais de semana e fora do horário comercial. Além disso, fintechs que operam com criptomoedas como forma de pagamento também podem ser beneficiadas pela decisão.