O mais recente relatório da Chainalysis, "Geography of Cryptocurrency 2024", revela que o Brasil está entre os principais países da América Latina em termos de adoção de criptomoedas.

Durante o período de julho de 2023 a junho de 2024, os brasileiros receberam mais de R$ 505 bilhões em ativos digitais, consolidando o país como um dos líderes no mercado de criptomoedas na região. A América Latina ocupa a quinta posição no ranking global de adoção de criptomoedas, representando 9,1% do valor total recebido globalmente no período analisado.

A região movimentou aproximadamente US$ 415 bilhões em criptomoedas, com o Brasil e a Argentina liderando a maior parte dessas transações. O Brasil, em particular, recebeu aproximadamente US$ 90,3 bilhões (R$ 505,6 bilhões), ficando logo atrás da Argentina, que movimentou US$ 91,1 bilhões (R$ 510 bilhões).

Um dos pontos destacados no relatório é o uso crescente de stablecoins no Brasil e em outros países da região, como Venezuela e Argentina.

Essas moedas digitais, atreladas ao valor do dólar americano, ganharam popularidade principalmente devido à sua capacidade de fornecer estabilidade em meio à volatilidade econômica. No Brasil, as stablecoins representam cerca de 70% das transferências entre exchanges locais e globais.

"No relatório Geos do ano passado, observamos que, apesar do mercado cripto institucional historicamente bem desenvolvido do Brasil, a atividade institucional diminuiu no início de 2023, o que provavelmente coincidiu com o mercado global de criptografia em baixa. Mas esta tendência inverteu-se em meados do ano e aumentou desde então, sugerindo um interesse renovado por parte das principais entidades financeiras", destaca o relatório.

Segundo a Chainalysis, o valor mensal das transações de dimensão institucional (ou seja, superiores a 1 milhão de dólares) aumentou aproximadamente 29,2% entre os dois últimos trimestres de 2023 e aproximadamente 48,4% entre o quarto trimestre de 2023 e o primeiro trimestre de 2024.

André Portilho, Head de Ativos Digitais do BTG Pactual, declarou para o relatório que  "a diversificação de portfólios é um dos fatores-chave para o aumento do interesse institucional. O mercado está amadurecendo, e os ativos digitais estão sendo integrados como uma opção de investimento alternativo."

No relatório, Aaron Stanley, fundador do Brazil Crypto Report, observou tendências semelhantes na adoção da criptografia no Brasil.

“O ecossistema amadureceu bastante significativamente. Vimos vários bancos TradFi lançarem produtos de corretagem de criptografia (Itaú, o maior banco do país, por exemplo), e a maioria das outras grandes empresas estão construindo ativamente seus próprios produtos semelhantes. Vimos grandes bolsas globais, como OKX e Coinbase, serem lançadas com força no país, completas com equipes e entidades locais.

O programa piloto Drex também levou os bancos TradFi a serem muito mais inovadores em suas estratégias de ativos digitais. Isso trouxe benefícios posteriores para essas instituições e seus clientes no que se refere à adoção cripto", disse.

Stablecoins e o interesse em produtos digitais

A Chainalysis também destaca que as transações de Bitcoin aumentaram mais durante o período estudado. Houve um aumento particularmente acentuado no valor das transações de Bitcoin entre setembro de 2023 e março de 2024, o que possivelmente coincidiu com a aprovação pela SEC de ETFs spot de Bitcoin em janeiro de 2024.

O relatório destaca o papel crucial das stablecoins no Brasil, sendo que o valor recebido pelos brasileiros nas exchanges globais é muito maior do que os valores recebidos nas exchanges locais regionais.

"O valor anual da transação de stablecoin nas exchanges locais (207,7%) aumentou significativamente mais do que Bitcoin, Ether e altcoins", destaca a empresa.

O crescimento das stablecoins no Brasil está alinhado com uma tendência observada em toda a América Latina. Países como Argentina e Venezuela também têm utilizado essas moedas para combater a inflação e a volatilidade cambial, evidenciando a importância das criptomoedas como uma ferramenta para estabilidade financeira em mercados emergentes.

Apesar do crescimento impressionante, o relatório observa que o cenário econômico do Brasil pode limitar a adoção generalizada de criptomoedas. A alta carga tributária, o aumento do endividamento das famílias e a desvalorização do real são alguns dos desafios mencionados.

Confira o relatório completo

Relatório by Rodrix Digital