Na quarta-feira (20), a Chainlink revelou os vencedores do seu hackathon Constellation, realizado entre os dias 8 de novembro e 10 de dezembro. O projeto Horizon, criado por dois brasileiros, figurou entre os vinte selecionados para receber o prêmio de “Alta Qualidade”, destinado aos projetos que fizeram “implementações incríveis”.

O Horizon consiste na criação de uma plataforma de consórcio totalmente em blockchain. Usuários depositam valores em um pool e, assim como em um consórcio tradicional, as rodadas de contemplação ocorrem mensalmente. Ao ser contemplado, o membro do consórcio pode tirar o valor inicialmente almejado quando adentrou no pool.

O sorteio do usuário a ser contemplado é feito através do recurso VRF, da Chainlink, que é um gerador de números aleatórios. Para retirar o valor, o usuário deve deixar um colateral correspondente ao valor a ser retirado, que será liberado após a quitação de todas as parcelas restantes. 

O processo de verificação do preço real do ativo deixado como colateral é feito pelo uso da ferramenta Functions, da Chainlink, que busca dados do mundo real através de APIs. Outra funcionalidade do Horizon é a sua disponibilidade em diferentes blockchains, possibilitada através do CCIP, recurso de interoperabilidade da Chainlink. 

Além disso, há previsão no pitch do Horizon para a utilização dos fundos alocados no pool dentro de protocolos DeFi de baixo risco, a fim de gerar rendimentos sobre o capital parado.

A entrada no hackathon

A analista de dados em blockchain Raffa Loffredo e o desenvolvedor que se identifica como Barba são os brasileiros por trás do Horizon. Loffredo e Barba contam que são profissionais que entraram na indústria blockchain recentemente, e que estavam hesitantes sobre participar do Constellation.

A decisão tomada, conta Loffredo, foi interagir com comunidades brasileiras inseridas na Web3 para buscar insights sobre o que é participar de um hackathon. Durante interações na comunidade de desenvolvedores WEB3DEV, explicam os brasileiros, surgiu a convicção para participar do Constellation.

“Eu duvidei bastante da minha capacidade, porque eu estava estudando contratos inteligentes há apenas quatro meses. Conversando com a Anna Bida, da WEB3DEV, e ela me aconselhou a tentar, pois era possível evoluir e aprender muito, e eu só saberia se estava pronto se tentasse”, afirma Barba.

Desafios do Constellation

Sobre o processo de participar do Constellation, Barba e Loffredo contam que foi um desafio, e envolveu o aprendizado de conceitos que ambos não dominavam anteriormente. 

O desenvolvimento da interface do Horizon em uma semana, comenta Barba, é um exemplo de tarefa desafiadora, já que nenhum dos dois possuía conhecimento em desenvolvimento de front-end.

“Além das questões tecnológicas, existem os detalhes técnicos, como o próprio consórcio. Existem muitos detalhes técnicos e é algo de nicho no Brasil. Inclusive, descobrimos no meio do caminho que o consórcio é uma criação brasileira”, conta Loffredo.

O futuro do Horizon

Loffredo e Barba pretendem aprimorar o Horizon, visando dar longevidade e sustentabilidade ao projeto. As taxas dentro da plataforma e o uso de capital no pool, por exemplo, foram mencionadas como um ponto a ser melhorado. 

“Nas taxas, por exemplo, nós precisamos de alguém com entendimento em contabilidade e economia, para tornar o projeto saudável. Tem ainda a questão envolvendo para onde o dinheiro vai, quais protocolos DeFi nós utilizaremos. Nós queremos utilizar projetos brasileiros, a gente sabe que tem muita coisa aqui que vale a pena investigar e fazer parcerias”, diz Loffredo.

Os dois brasileiros também enxergam no Drex um cenário fértil. Barba destaca que o uso de ativos reais como colateral, por exemplo, pode ser facilitado com a tokenização desses mesmos ativos já na camada do Drex, deixando toda a experiência mais suave.

“Estamos pensando com muito carinho para que a plataforma se torne uma forma de acesso ao crédito para as pessoas que precisam. É como nós colocamos no pitch: queremos ajudar as pessoas a realizarem sonhos. Porque, no fim, todo mundo tem um sonho, e é o financeiro que geralmente aperta na hora de realizar esses sonhos”, concluem.