Terroristas de extrema-direita ainda usam criptos para financiamento, mas prática vem diminuindo, diz revista

A revista “Época Negócios” publicou em sua edição semanal e em seu website uma matéria supostamente denunciando as relações “nebulosas” entre grupos terroristas de extrema-direita e as criptomoedas.

A matéria da revista cita um dos autores do atentado terrorista contra uma mesquita em Christchurch, na Nova Zelândia, que teria conseguido levantar fundos através do investimento no esquema de pirâmide Bitconnect, citando informações do site Foreign Policy.

Por outro lado, a declaração do terrorista de extrema-direita teriam servido para despistar as investigações, uma vez que o esquema da Bitconnect seria famoso por levar seus investidores a perderem milhões de dólares.

Segundo a Época Negócios, os nacionalistas de extrema-direita teriam aderido ao Bitcoin em 2017, em plena bolha do mercado cripto, como forma de alternativa a sanções impostas a esses grupos por gigantes de pagamento de cartões de crédito e de pagamento online.

Uma publicação do The Washington Post de 2017, segundo a revista, teria proclamado as criptomoedas como “moeda do alt-right”.

A Época Negócios ainda afirma que a bolha do Bitcoin levou as autoridades a monitorar os grupos terroristas de extrema-esquerda que haviam investido em criptomoedas e conseguido lucrar com a bolha. 

Houve, inclusive, a criação de meios para rastreamento destas transações como o perfil de Twitter Neonazi BTC Tracker, dedicado à denúncia de transações envolvendo grupos da “subcultura nacionalista branca”, diz a revista.

Segundo o responsável pelo perfil, em aspas do Foreign Policy e reproduzida pela Época Negócios, John Bambenek, as características do mercado cripto podem atrair este tipo de grupos terroristas.

"O Bitcoin fornece a esses grupos terroristas neonazistas – e eles são grupos terroristas – a capacidade de levantar e gastar dinheiro de uma maneira que é difícil de interromper".

A maior parte dos países do mundo adota regulação rígida para o rastreamento de transações envolvendo lavagem de dinheiro e financiamento terrorista, inclusive para plataformas de negociação cripto. 

A maior exchange norte-americana, a Coinbase, por exemplo, declarou à revista que “procura ativamente e remove extremistas violentos de sua plataforma”.

A matéria ainda completa dizendo que as organizações terroristas de extrema-esquerda têm diminuído o interesse no investimento em criptomoedas, por ser “facilmente rastreável” e por não considerarem-nas uma “boa rede de pagamento”.