Um desenvolvedor de blockchain que afirma ter feito engenharia reversa do código-fonte do piloto da moeda digital de banco central do Brasil (CBDC) descobriu funções no código que permitiriam a uma autoridade central congelar fundos ou reduzir saldos de usuários do sistema. 

Ele argumentou, no entanto, que poderia haver situações em que tais funções poderiam ser úteis.

Em 6 de julho, o código-fonte do projeto piloto do real digital brasileiro foi publicado no portal GitHub pelo Banco Central do Brasil. Na ocasião, foi explicado que o projeto-piloto se destina a ser usado apenas em um ambiente de teste e que a "arquitetura apresentada" pode estar sujeita a alterações adicionais.

Mais tarde, Pedro Magalhães – um desenvolvedor de blockchain e fundador da empresa de consultoria tecnológica Iora Labs – afirmou ter conseguido fazer a "engenharia reversa" do código-fonte aberto do real digital do Banco Central do Brasil, revelando funções no código.

As funções incluíam congelamento e descongelamento de contas, aumento e redução de saldos, movimentação de moeda de um endereço para outro e criação ou gravação de reais digitais em um endereço específico.

6/ Esses recursos podem ser executados por qualquer entidade que receba as devidas permissões da entidade controladora do novo sistema, ou seja, o Banco Central.

Entre as alterações que as autoridades poderiam fazer usando essas funções estão, por exemplo:

— Vini Barbosa (@vinibarbosabr) 

Magalhães disse ao Cointelegraph que o Banco Central do Brasil "provavelmente" manteria essas funções para empréstimos garantidos e outras operações financeiras baseadas em protocolos de finanças descentralizadas (DeFi).

O problema, explicou Magalhães, é que o código carece de especificidade sobre as circunstâncias em que os tokens podem ser congelados e, acima de tudo, quem tem o poder de executá-los:

"Uma coisa é concordar com uma operação e executar uma operação DeFi que envolva diferentes blockchains; outra coisa completamente diferente é uma instituição ter a capacidade de congelar o saldo por sua iniciativa, e foi exatamente assim que eles desenvolveram os contratos inteligentes."

Esses aspectos devem sempre ser expostos publicamente nos contratos inteligentes e discutidos com a população, o que ainda não foi feito", acrescentou.

Muitos membros da comunidade de criptomoedas manifestaram preocupação com o fato de um CBDC ter o potencial de intervir na liberdade financeira e invadir a privacidade dos usuários do sistema.

11/ Um dos objetivos da publicação do piloto, conforme consta no chamado "Onboarding Kit" do projeto, é receber feedbacks – deixando toda documentação sujeita a evolução ou alterações. E foi exatamente isso que o desenvolvedor Pedro Magalhães fez: forneceu feedback.

— Vini Barbosa (@vinibarbosabr) 

Em uma postagem de 10 de julho, Magalhães disse que, embora as preocupações dos brasileiros com o real digital sejam compreensíveis, ele pode oferecer alguns benefícios aos seus usuários.

Ele explicou que os impostos seriam mais facilmente rastreáveis, permitindo que o público inspecionasse a destinação dos fundos recolhidos através de impostos, além de inspecionar as compras feitas pelo estado onchain e fortalecer a transparência dos recursos de emendas parlamentares.

Em julho de 2022, Fabio Araujo, economista do Banco Central do Brasil, explicou que o real digital tem o potencial de interromper as corridas bancárias e procura oferecer aos empreendedores um ambiente mais seguro e confiável para inovar.

O piloto do real digital está sendo executada na Hyperledger Besu – uma blockchain compatível com a Ethereum Virtual Machine (EVM) operada de forma privada.

Como não se trata de uma rede não permissionada como as redes do Bitcoin e da Ethereum, os usuários precisarão da aprovação do banco central para se tornarem um nó, declarou Magalhães em 7 de julho.

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