Enquanto os principais bancos do Brasil, Itaú, Banco do Brasil, Bradesco, Caixa e Santander alegam, em processo que ocorre no Conselho Administrativo de Defesa Econômica (CADE) que encerram contas bancárias de exchanges de bitcoin por causa de atividades suspeitas e para evitar lavagem de dinheiro, os mesmos bancos 'ajudaram' correntistas a receber mais de R$ 1 bilhão em propina, aponta investigação da Lava Jato.

"O que está em apuração é se o banco adotou todas as cautelas devidas para evitar que funcionários fossem cooptados e valores fossem lavados ou se ele foi omisso", disse o procurador da República Roberson Pozzobon, integrante da força-tarefa da Lava Jato em Curitiba

Segundo investigações do Ministério Público, dentro da operação Lava Jato, os bancos permitiram a abertura de contas corrente em nome de empresas de fachada e de companhias operadas por doleiros

No total os bancos teriam 'viabilizado' cerca de R$ 1,3 bilhão de recebimentos supostamente ilícitos em alguns casos por meio de ooptação de funcionários dos bancos e falhas em sistemas de controle de operações suspeitas.

De acordo com as investigações, em contas no Bradesco teriam sido movimentados, R$ 989,6 milhões; no Banco do Brasil cerca de R$ 200 milhões; Itaú: R$ 94,5 milhões; Santander: R$ 19,5 milhões e Caixa: R$ 4,1 milhões.

Como noticiou o Cointelegraph, as exchanges nacionais de Bitcoin, 3xBit, Bitrecife e Coinext relataram recentemente ao CADE que tiveram problemas com diversos bancos nacionais em processos de encerramento de contas-correntes, conforme documentos enviados ao CADE em processo aberto pela Associação Brasileira de Criptoativos Blockchain (ABCB).

De acordo com a documentação, até o momento, os bancos citados como tendo gerado 'complicações' para as plataformas nacionais foram: Banco do Brasil, Itaú, Bradesco e Santander, sendo que alguma das exchanges, têm processos judiciais abertos contra as referidas instituições financieras.

"O Banco Santander informou o encerramento da conta corrente antes mesmo de serem disponibilizadas senhas de acesso e "token". Já as contas encerradas do Banco Itaú e Banco Bradesco o principal impacto foi a perda de clientes e o aumento da insatisfação por parte de clientes que faziam transferências entre contas do mesmo banco para evitar o pagamento da taxa de TED/DOC. No caso específico do Banco Itaú, antes de qualquer comunicação sobre o encerramento da conta, houve o bloqueio por alguns dias do nosso saldo em conta corrente. Este bloqueio causou um enorme transtorno e prejuízo à operação da Coinext e consta nos autos do referido processo judicial em curso contra o Banco Itaú", disse a Coinext.