As movimentações do preço do Bitcoin nas últimas duas semanas de crise na economia global causada pela pandemia de coronavírus teve maior correlação com o índice S&P 500 do que com o ouro, segundo o especialista do mercado financeiro Gustavo Cunha escreve no portal InfoMoney.
Segundo Cunha, o comportamento do Bitcoin, com queda de mais de 40% em algumas horas na semana passada, derrubou o "mito" da reserva de valor do Bitcoin.
Ele diz que a correlação do Bitcoin é muito mais forte com outras criptomoedas do que com o ouro e que a maior criptomoeda teve maior correlação com o S&P na semana passada:
"O Bitcoin teve um movimento muito mais parecido com o S&P do que com o ouro. Assim sendo, vê-se que o Bitcoin ainda não consegue cumprir duas das três características das moedas: ser reserva de valor e meio de troca. Não é preciso explicar por que ela não é meio de troca, já que é difícil encontrar um lugar que o aceite para pagamentos"
Ele também ressalta que há uma corrida por dinheiro na crise, já que o mercado busca desesperadamente alguma liquidez. Ele diz, porém, que não acredita que a menor correlação do BTC com o ouro pode mudar positivamente no futuro:
"Um segundo momento dessa crise atual pode ser marcado por uma desconfiança em relação à manutenção do status quo do mercado financeiro, um sistema com uma rede de intermediários bastante complexa e de difícil manutenção.[...] Então, pode entrar no jogo uma característica incrível do Bitcoin: ser peer to peer (sem intermediários). Outro cenário é que, após a enxurrada de dinheiro que os BCs estão emitindo e a estabilização do sistema, tenhamos um período prolongado de inflação (esse é o sonho e a torcida de qualquer Banco Central nos últimos dez anos). Assim, ativos como o Bitcoin poderiam performar muito bem."
Finalmente, ele diz que não descarta a quebra de alguma alicerce do sistema financeiro, mas lembra que a probabilidade é que Bancos Centrais venham em socorro dos bancos para evitar uma quebradeira geral como em 2008.