Resumo da notícia
Bitcoin cai mais de 6% e opera próximo de US$ 73 mil após forte aversão ao risco.
Analistas apontam espaço para queda até US$ 58 mil diante de fraqueza técnica e pressão macro.
Exchanges registram ondas agressivas de venda e funding negativo, reforçando o domínio dos ursos.
O preço do Bitcoin voltou a cair mais de 6% nesta terça, 03, e está sendo negociado em torno de US$ 73 mil após bater brevemente US$ 72.900. O recuo ganhou força enquanto o Congresso dos Estados Unidos avançava, de forma apertada, em uma votação que pode reabrir o governo federal.
A Câmara aprovou, por margem mínima de 217 a 215 votos, um procedimento essencial ligado ao projeto de financiamento apoiado pelo Senado. A medida reduziu o risco imediato de paralisação prolongada, mas não trouxe alívio total aos mercados, que seguem altamente sensíveis à instabilidade política americana.
O mercado cripto já se encontrava sob pressão antes da votação. A capitalização total caiu mais de 5% no dia, aproximando-se de US$ 2,5 trilhões. O Ethereum teve desempenho pior, recuando perto de 9% e negociando em torno de US$ 2.115. Outros ativos importantes, como XRP, BNB e Solana, registraram quedas entre 7% e 10%, refletindo postura defensiva generalizada.
Mesmo com o avanço no Congresso, o clima permanece de cautela. Investidores ainda enfrentam dados econômicos atrasados, condições financeiras mais apertadas e incerteza sobre a velocidade com que parlamentares poderão finalizar o acordo de financiamento sem novos impasses. A solução adotada é temporária, o que mantém o risco macro elevado e adia previsões mais claras para juros, inflação e crescimento econômico, pontos cruciais para traders que navegam entre renda variável e criptoativos.
Do ponto de vista técnico, o Bitcoin opera abaixo das principais médias móveis de curto prazo, enquanto indicadores de momentum seguem apontando fraqueza. A dominância das altcoins continua baixa, reforçando a percepção de que o mercado está altamente seletivo. O índice Crypto Fear & Greed segue mergulhado em “extremo medo”, cenário que normalmente antecede repiques curtos, mas não garante reversões sustentadas.

Preço do Bitcoin pode cair para US$ 58 mil
O Bitcoin despencou cerca de US$ 1.700 em minutos, eliminando mais de US$ 55 milhões em posições long. O restante do mercado perdeu mais US$ 50 bilhões. Apesar das manchetes positivas sobre a possível reabertura do governo, o sentimento continuou negativo, alimentado por temores de manipulação e liquidações forçadas.
Entre os analistas mais cautelosos está Alex Thorn, chefe de pesquisa da Galaxy Digital. Ele destacou que a estrutura de mercado e os dados on-chain sustentam a tese de queda prolongada. Na visão dele, o Bitcoin enfrenta momento semelhante aos períodos que precederam correções mais profundas em ciclos anteriores.
Thorn relembrou o forte recuo no fim de janeiro, quando o Bitcoin caiu 15% em poucos dias e acelerou perdas no fim de semana, provocando um dos maiores eventos de liquidação já registrados, com mais de US$ 2 bilhões eliminados em posições alavancadas.
Thorn enfatizou que 46% de todo o suprimento circulante do Bitcoin está “underwater”, o que significa que esses investidores compraram a preços mais altos. Além disso, o fechamento de janeiro representou o quarto mês consecutivo de queda, algo que não ocorria desde 2018. Historicamente, exceto em 2017, o Bitcoin não registrou uma queda de cerca de 40% a partir do topo histórico sem alcançar posteriormente uma retração de 50% ou mais. Esse padrão aponta para preços próximos de US$ 63 mil caso o ciclo atual repita movimentos passados.
A análise de Thorn também identificou um vazio entre US$ 82 mil e US$ 70 mil na distribuição on-chain, demonstrando baixa demanda nessa faixa e aumentando a probabilidade de novos testes de suporte. Os modelos de preço realizado indicam valores próximos de US$ 56 mil, enquanto a média móvel de 200 semanas está situada perto de US$ 58 mil, níveis historicamente associados a fundos de ciclo.
Outro analista, Doctor Profit, reduziu sua projeção de fundo após a recente queda. Com a perda de suportes técnicos relevantes, ele acredita que o ciclo pode revisitar regiões entre US$ 54 mil e US$ 44 mil, bem abaixo da estimativa anterior, que ficava entre US$ 50 mil e US$ 60 mil.
Comportamento nas exchanges
Além disso, o comportamento das exchanges reforça a pressão. O CVD de derivativos na Binance caiu para aproximadamente -US$ 38 bilhões, exibindo uma onda significativa de ordens agressivas de venda. Exchanges como OKX, HTX, Bybit e BitMEX demonstram padrões similares, embora com intensidade variada. Na Deribit, o CVD também continua negativo, sem formação de estrutura construtiva.
Esses dados sugerem que parte substancial das posições alavancadas já foi eliminada, o que pode indicar fase de transição. Em ciclos anteriores, momentos de medo extremo e vendas forçadas costumam abrir oportunidades de longo prazo, embora não forneçam garantia de reversão imediata.
Outro ponto relevante é o comportamento das taxas de financiamento. No caso da Binance, o funding já está profundamente negativo, em torno de -0.0045, refletindo excesso de posições vendidas. Pelo modelo da plataforma, a taxa neutra não é 0, mas 0,01%. Assim, qualquer valor abaixo desse limiar indica domínio de shorts. A acumulação prolongada de posições baixistas sugere consenso pessimista, que historicamente antecede repiques, ainda que breves.

