A batalha acirrada pelo mercado de fundos negociados em bolsa (ETF) de Bitcoin nos Estados Unidos pode fazer com que muitos dos ETFs listados hoje acabem fechando devido à inviabilidade operacional.

De acordo com os analistas, a guerra de taxas dos ETFs de Bitcoin (BTC) pode ter impedido que gestoras menores participassem da disputa agora em curso. No entanto, pelo lado positivo, os investidores acabam sendo os "maiores vencedores" devido à queda das taxas de administração.

"A maioria dos ETFs lançados em janeiro nunca chegará ao ponto de equilíbrio, pois os custos só serão compensados se chegarem à casa de bilhões em ativos sob gestão, o que não acontecerá", disse Hector McNeil, co-CEO e fundador do provedor de ETFs HANetf, ao Cointelegraph.

Os 10 ETFs de Bitcoin aprovados já arrecadaram mais de US$ 10 bilhões em ativos sob gestão desde que foram lançados, mas a maior parte do montante arrecadado está nas mãos da BlackRock e da Fidelity, com cerca de US$ 4 bilhões e US$ 3,5 bilhões em ativos sob gestão, respectivamente.

"Quatro ou cinco chegarão ao ponto de equilíbrio. Acho até que alguns que já foram lançados provavelmente encerrarão as suas atividades mais cedo ou mais tarde", acrescentou McNeil. Ele suspeita que as gestoras que possivelmente estivessem esperando para lançar seu próprio fundo de Bitcoin em um futuro próximo iriam descartar a possibilidade.

"Acho que é uma corrida para o fundo do poço e acredito que há muitas pessoas brigando por uma fatia de mercado muito pequena."

No fim de janeiro, a Global X retirou a sua proposta para lançamento de um ETF de Bitcoin sem explicação, enquanto outros proponentes de ETFs, como Pando, 7RCC e Hashdex, permaneceram em silêncio sobre seus planos. Enquanto isso, as 10 gestoras de ETFs de Bitcoin reduziram cada vez mais suas taxas de administração – mesmo antes da aprovação dos veículos de investimento – para atrair investidores.

No final de janeiro, a Invesco e a Galaxy de 0,39% para 0,25%, alinhando-o com BlackRock, Fidelity, Valkyrie e VanEck, apesar de o fundo oferecer taxa zero nos primeiros seis meses ou até atingir US$ 5 bilhões em ativos sob gestão.

Esta é a aparência da tabela de taxas agora:

— James Seyffart (@JSeyff)

O diretor de pesquisa de estratégias passivas da Morningstar Research, Bryan Armour, disse ao Cointelegraph que as "guerras de taxas" provavelmente afastaram novas gestoras do mercado de ETFs de Bitcoin, pois é "difícil se tornar lucrativo rapidamente com taxas baixas e um início tardio."

"Novos emissores provavelmente precisariam trazer seus próprios ativos ou contar com seus canais de distribuição para crescer neste momento", acrescentou.

Henry Jim, analista de ETFs da Bloomberg, disse que as gestoras menores "enfrentam grandes barreiras para entrar nessa guerra de gigantes."

"Se eles igualarem as taxas, não terão receita suficiente para sobreviver; e, se não reduzirem as taxas, não conseguirão reunir ativos de massa crítica suficientes para sobreviver."

Jim disse que os novos participantes podem precisar de um investidor ou de "um patrocinador com grandes recursos" para ajudá-los a se manterem à tona enquanto trabalham para distribuir o ETF.

McNeil disse que aqueles que estão atrasados para a festa "podem esquecê-la, a menos que tenham algo interessante ou diferente para lançar", acrescentando que seria melhor procurar dar lances na "próxima leva" de ofertas, como ETFs alavancados, de chamadas cobertas ou de Ether (ETH).

Embora as gestoras de ETFs pressionem umas às outras com relação às taxas, McNeil, Jim e Armour concordaram que os compradores e investidores de ETFs são os "maiores vencedores."

Jim acrescentou que os formadores de mercado também estão no lado vencedor, pois os investidores "pagarão menos para acessar um mercado relativamente difícil de acessar, e os formadores de mercado estão se divertindo com a liquidez nos mercados de Bitcoin e com as ações dos ETFs."

Armour disse que "as gestoras com os canais de distribuição mais substanciais que podem se expandir rapidamente" também sairão ganhando na guerra das taxas, destacando empresas como a BlackRock e a Fidelity – atualmente as duas maiores gestoras em termos de ativos sob gestão.

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