Após um fechamento semanal levemente positivo no domingo, a ação de preço do Bitcoin (BTC) abriu a primeira semana cheia de outubro trafegando em uma faixa estreita de preço, ainda em clima de indefinição no curto prazo.

Todas as apostas dos touros residem no histórico positivo do Bitcoin no último trimestre do ano, em especial nos meses de outubro e novembro, conforme destacou o analista de dados on-chain Will Clemente em uma postagem publicada no Twitter em 30 de setembro.

Historicamente, o quarto trimestre registra de longe o melhor desempenho do Bitcoin, com um retorno médio trimestral de +103,9%

Outubro e novembro são os meses individuais de melhor desempenho, com retornos médios de 24% e 58%, respectivamente

A sazonalidade importa? Vamos ver.

— Will Clemente (@WClementeIII)

No entanto, em meio a um mercado de baixa que vem desafiando a capacidade de avaliação dos movimentos do mercado de grande parte dos analistas, uma questão que está começando a se impor entre aqueles que tentam prever o que o final de 2022 ainda reserva para o Bitcoin é: a correlação com o mercado acionário pode estar perdendo força?

Recentemente, o Bitcoin vem superando os índices de ações dos EUA. Em comparação com a semana que se encerrou, o Bitcoin subiu 1,3%, enquanto o Nasdaq 100 e o S&P 500 perderam 1%. Ampliando a comparação aos últimos 90 dias, de acordo com dados da empresa de análise de blockchain IntoTheBlock, as vantagens do Bitcoin são ainda maiores. No terceiro trimestre, entre julho e setembro, o Bitcoin valorizou 1%, enquanto o Nasdaq 100 perdeu 3% e o S&P 500 perdeu 4%.

Mesmo assim, a matriz de correlação da plataforma da IntoTheBlock mostra que o Bitcoin ainda está bastante correlacionado com o Nasdaq 100 e o S&P 500 – em 0,68 e 0,66, respectivamente. De qualquer forma, a correlação mostra sinais de declínio, ainda que leves.

Ainda não parece ser suficiente para afirmar que não há mais correlação, ponderou Clemente, mas o descolamento dos últimos tempos é evidente, conforme o gráfico que ilustra uma postagem do analista de 1º de outubro.

Hesitante em declarar que "o Bitcoin se descolou" porque muitas vezes ele está apenas atrasado, mas a força relativa do BTC esta semana foi clara e algo para ficar de olho.

— Will Clemente (@WClementeIII)

Em busca de uma resposta para a pergunta que não quer calar, o fundador da Crypto Investidor, Diego Consimo, recomenda que os traders fiquem atentos ao movimento do Índice S&P 500:

"Enquanto o S&P 500 tenta recuperar-se do teste da Média Móvel de 200 semanas que ocorreu na última sexta-feira, quando perdeu seu suporte em 3.600 pontos, o Bitcoin continua forte em sua acumulação na região de US$ 18.200 a US$ 20.500. A média de 200 semanas para o S&P 500 é de extrema importância, pois caso confirme-se a perda poderá haver uma correção mais expressiva na região de 3.200 pontos."

Contudo, diz o analista, a queda abaixo dos 3.600 pontos ilustrada no gráfico abaixo "pode ter sido apenas uma armadilha de urso."

Gráfico semanal Índice S&P 500 com média móvel de 200 semanas em destaque (vermelho). Fonte: Crypto Investidor (TradingView)

Força do dólar

O comportamento do dólar frente às demais moedas de reserva internacionais é o próximo desafio a ser vencido pelo Bitcoin após o descolamento do mercado acionário. A recente alta do índice do dólar (DXY) ocorreu em paralelo ao aumento das taxas de juros dos EUA.

Assim, diante de um Banco Central (Fed) determinado a manter sua política de aperto monetário até que a inflação esteja controlada, haveria poucos motivos para esperar um enfraquecimento do dólar no curto prazo.

No entanto, nesta segunda-feira, nada menos que a Organização das Nações Unidas (ONU) fez um apelo ao Fed e a outros bancos centrais para que interrompam o aumento dos juros para que não haja um impacto demasiadamente severo em economias emergentes. A verdade é que tanto a zona do euro quanto a Grã-Bretanha, o Japão e a China estão vendo suas moedas se desvalorizarem em função da atual política monetária dos EUA.

Uma potencial diminuição no ritmo do aumento das taxas de juros pelo Fed pode se somar a um movimento de curto prazo do DXY, favorecendo não apenas o mercado de criptomoedas, mas também o mercado acionário, destaca Consimo:

"O DXY está em queda após os anúncios dos índices do calendário econômico relacionados à atividade industrial virem abaixo do esperado nesta segunda-feira. Esse cenário é favorável para o mercado especulativo, incluindo o Bitcoin e as bolsas."

Gráfico de 4 horas DXY. Fonte: Crypto Investidor (TradingView)

Enquanto acompanham os desdobramentos do conturbado cenário macroeconômico global, os traders do Bitcoin devem ficar atentos aos seguintes intervalos, segundo o analista da Crypto Investidor:

"No curto prazo, enquanto o cenário macro não se define, o Bitcoin tenta se segurar acima de sua LTA - linha de tendência de alta que se encontra em U$18.800, com alvos acima em U$20.400, U$22.500 e U$25.000, e suas principais regiões de suporte são U$18.200, U$17.600 e U$16.800."

No gráfico abaixo estão delineadas as linhas de tendência de baixa de alta – LTB e LTA –, cujos rompimentos poderão de fato oferecer pistas mais consistentes sobre a ação de preço do BTC até o fim de 2022.

Gráfico de 4 horas BTC/USD com destaque para LTB e LTA. Fonte: Crypto Investidor (Trading View)

No início da noite desta segunda-feira, 3, o Bitcoin opera em alta de 1,83% nas últimas 24 horas e está cotado a US$ 19.560, de acordo com dados do CoinMarketCap. Tanto o Índice S&P 500 quanto o Nasdaq também fecharam o dia em alta, levemente superior à do Bitcoin, inclusive. Já o DXY registra queda de 0,47%.

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