O próximo halving do Bitcoin (BTC) está previsto para acontecer em 2024. O usuário que se identifica James Bull no Twitter usou sua rede social nesta sexta-feira (9) para chamar atenção aos ciclos que se repetem com base no halving do Bitcoin. Usando halvings passados como parâmetro, ele destaca que o BTC pode valorizar 200% em 2023.

Além disso, usando a média de crescimento dos ciclos anteriores, James Bull estima que o Bitcoin pode atingir a cotação de US$ 180 mil em 2025, um ano após o halving.

Valorização forte

O halving é um mecanismo previsto no código do Bitcoin que reduz as recompensas dadas aos mineradores após minerarem um bloco. O corte é de 50%, fazendo com que mineradores passem a receber somente 3,125 BTC por bloco minerado a partir de 2024. O objetivo é controlar o suprimento de Bitcoins disponíveis aos investidores.

Em seu tweet, James Bull aponta que os anos anteriores ao halving são períodos onde o Bitcoin salta, em média, 200%. Ocorre, então, uma correção de 40% no ano do halving, seguida de um movimento de lateralização. No ano seguinte é quando, de acordo com ciclos passados, o Bitcoin avança 500%.

“Isso nos leva dos US$ 17.000 para US$ 50.000 no ano que vem, para uma correção até US$ 30.000 em 2024, e então uma explosão para US$ 180.000 em 2025”, diz James Bull.

Acontecimentos passados, no entanto, não garantem acontecimentos futuros. Nesse sentido, dois especialistas entrevistados pelo Cointelegraph Brasil acreditam que não é provável que o Bitcoin repita este movimento no ano que vem.

Condições desfavoráveis

O cenário macroeconômico não é propício para que o Bitcoin performe uma valorização de 200% no ano que vem, avalia Henrique Paiva, Analista CNPI do Cripto Select. “O Bitcoin nunca viveu num momento em que o dinheiro não fosse barato. Atualmente, o dinheiro está caro, e isso é algo totalmente novo para o Bitcoin.”

‘Dinheiro caro’, diz Paiva, é o termo usado para descrever quando a taxa de juros, notadamente dos Estados Unidos, está alta. Nesse cenário, a tomada de empréstimos é mais cara, fazendo com que investidores fiquem mais cautelosos em relação aos seus investimentos.

“O mercado financeiro tradicional ainda enxerga o mercado cripto como um mercado muito arriscado. Por isso, eles precisam de dinheiro barato para arriscar em ativos de risco. Ou seja: quando a taxa de juros sobe, deixando o dinheiro caro, o capital sai de mercados arriscados e migra para títulos da dívida pública, onde o rendimento é relativamente mais interessante quando se considera a segurança que eles oferecem”, acrescenta Paiva.

Na visão de Rony Szuster, analista de criptoativos do MB Research, não é possível comparar o ciclo atual com períodos passados. Ele afirma que “muita coisa mudou”, tanto no cenário macroeconômico quanto no amadurecimento do mercado cripto como um todo. “Não acho que o ciclo atual repetirá movimentos do ciclo anterior. Talvez acompanhe a tendência, mas a magnitude não será a mesma”, diz Szuster.

O analista do MB Research também menciona a alta taxa de juros, que torna o cenário desfavorável para os ativos de risco, como é o caso do Bitcoin. “A não ser que haja uma mudança muito forte na política de juros dos Estados Unidos, não consigo ver uma alta tão forte para o Bitcoin no ano que vem”, conclui.

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