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Gino Matos
Escrito por Gino Matos,Ex-redator(a) da equipe
Lucas Caram
Revisado por Lucas Caram,Editor da Equipe

Criptomoedas na Copa do Mundo 'é movimento muito impactante', avalia sócio da Fuse Capital

Perda de credibilidade causada pelo colapso da FTX não prejudicou o esforço de marketing da Crypto.com, diz José Bernardes, sócio da Fuse Capital

Criptomoedas na Copa do Mundo 'é movimento muito impactante', avalia sócio da Fuse Capital
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O Brasil foi eliminado nas quartas de final da Copa do Mundo, mas outros países seguem disputando o troféu. A exposição da exchange Crypto.com, uma das patrocinadoras da Copa, também continuará na competição até a final, com realização prevista para 18 de dezembro.

José Bernardes, sócio da gestora Fuse Capital, falou com o Cointelegraph Brasil sobre o que representa uma exchange de criptomoedas patrocinar, pela primeira vez, uma Copa do Mundo.

Impactante e traz novas responsabilidades

Bernardes aponta que o movimento é “muito impactante”, especialmente quando considerados os últimos quatro anos do mercado de criptomoedas. “Em 2018, nem sequer se ouvia falar de cripto, e hoje em dia é um tema do qual as pessoas falam, tanto institucionais quanto investidores do varejo. Ter uma empresa do porte da Crypto.com representando o mercado em todos os jogos é super importante.”

A relevância da exposição do mercado cripto em um grande evento, porém, traz grandes responsabilidades para a exchange, avalia o sócio da Fuse Capital. Com o novo fluxo de usuários trazidos pelos anúncios, o trabalho de adequação desses investidores ao mercado cripto deve ser melhor que antes.

“É função da Crypto.com apresentar esse mercado novo de uma maneira responsável para o cliente. Anteriormente, era necessário comprar o token da exchange, o CRO, e deixar em staking durante muito tempo para receber algum tipo de bônus. Acredito que isso mudará para algo mais amigável ao usuário que não está habituado ao mercado cripto.”

FTX e credibilidade

O recente colapso da FTX fez com que, em novembro, o fluxo de Bitcoin (BTC) para fora das exchanges atingisse a marca histórica de 109 mil BTC movidos para autocustódia. Os dados são da Glassnode.

A Crypto.com se viu envolvida diretamente no episódio, quando a movimentação de US$ 1 bilhão em stablecoins para a FTX foi questionada por entusiastas do mercado cripto. O CEO da exchange, Kris Marszalek, afirmou que apenas US$ 10 milhões do montante total foram perdidos com o colapso da FTX.

José Bernardes, da Fuse Capital, acredita que o episódio não afetou a captação de novos usuários através dos esforços de marketing realizados na Copa do Mundo pela Crypto.com. “O episódio afetou mais o mercado como um todo, mas não a entrada desse usuário sem experiência.”

Quanto à credibilidade das plataformas centralizadas, na visão de Bernardes, a recuperação ocorrerá no longo prazo. Em outras palavras, o patrocínio à Copa não muda a visão atual que o investidor já inserido no mercado de criptomoedas tem sobre as exchanges centralizadas. “A ação da Crypto.com, que já chegou a valer US$ 30 bilhões, com certeza já cutucou os grandes neobancos”, conclui Bernardes.

Exchanges descentralizadas surfam

Enquanto as exchanges centralizadas precisam combater a crise de confiança causada pelo quebra da FTX e o risco sistêmico de falência de outras empresas, as exchanges descentralizadas (DEX) aproveitam. O volume negociado por DEX em novembro saltou 110%. 

O gestor de produtos da THORSwap, que se identifica como ‘The Bull’, conta que o volume da exchange saltou no dia 9 de novembro, quando os temores de iliquidez da FTX se concretizaram. Ele avalia, no entanto, que este é apenas o começo de uma tendência mais duradoura de retenção de usuários. 

“Espero que essa tendência [de migração para DEX] fique ainda mais forte nos próximos meses, que é quando as pessoas começarão a entender melhor a importância da descentralização e autocustódia.”

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