Economista do BIS propõe monitoramento do mercado financeiro baseado em DLT

Economista do Bank for International Settlements (BIS) propôs novas maneiras de supervisionar riscos financeiros por meio da tecnologia de ledger distribuída (DLT).

Em um relatório divulgado recentemente, o economista Raphael Auer defendeu a chamada supervisão integrada, que monitoraria automaticamente os mercados tokenizados. Isso supostamente eliminaria a necessidade de coleta, verificação e entrega de dados relacionados às empresas.

Novas formas de transparência e credibilidade dos dados

De acordo com o relatório, DLT e contratos inteligentes podem facilitar o desenvolvimento de mercados financeiros através de novas formas de transparência e credibilidade de dados e, eventualmente, excluir a verificação de dados baseada em intermediários. Para atingir esses objetivos, a supervisão integrada visa usar a aprendizagem de máquina ou inteligência artificial, contando com o mecanismo de criação de confiança dos mercados descentralizados para fins regulatórios. O artigo explica ainda:

“Se os mercados baseados em DLT se desenvolvessem, isso mudaria a maneira como os ativos são negociados na forma de produtos financeiros complexos. Como as informações contidas na blockchain são verificadas por consenso econômico descentralizado, elas podem substituir os processos atuais de entrega e verificação de dados.”

Auer afirma que, para reguladores e legisladores, é necessário estabelecer estruturas auxiliares que governem os mercados distribuídos e sua infraestrutura, em que o DLT garantirá maior qualidade e conformidade a um custo menor.

"A supervisão incorporada pode ajudar a manter a confidencialidade das empresas e de seus clientes, uma vez que ferramentas criptográficas podem ser usadas para relatar exposições financeiras agregadas de uma instituição ao supervisor, sem divulgar as transações individuais subjacentes", conclui o documento.

Empresas globais buscam ecossistemas baseados em DLT

No início deste ano, o BIS declarou que pelo menos 40 bancos centrais em todo o mundo estavam conduzindo projetos pilotos de pesquisa com a tecnologia blockchain, que visam abordar questões como inclusão financeira, eficiência de pagamentos e segurança cibernética.

Em março, o Deutsche Borse Group, a Swisscom e a fintech Sygnum, firmaram uma parceria estratégica para construir um ecossistema baseado em DLT, para apoiar a nascente economia tokenizada, que, segundo os parceiros, “tem o potencial de remodelar o mundo mercados financeiros.