Durante o painel "Trajetória das Dívidas Soberanas, Cenário Macroeconômico para os Próximos Anos e o Papel do Bitcoin", organizado pela Bipa, e São Paulo, Renato Amoedo, conhecido como Renato 38ão, destacou que o Bitcoin é "a oportunidade dos decentes pararem de sustentar os vagabundos".

"O Bitcoin é uma oportunidade não apenas para uma geração, mas para a história da humanidade, de sair desse ciclo de dependência. Acredito que o Bitcoin tem o potencial de mudar muitas relações, assim como ele já altera a dinâmica entre pais e filhos, e pode alterar a relação entre governantes e governados. Ele é a oportunidade dos decentes pararem de sustentar os vagabundos", disse.

Segundo Renato, a inflação, embora muitas vezes resumida a índices de preços como o IPCA, é, na verdade, o reflexo do aumento da base monetária, algo que tem impactado diretamente o poder de compra e o acesso aos avanços tecnológicos e de escala.

No painel, Renato explicou que os governos, em uma tentativa de manter a economia em funcionamento, muitas vezes recorrem a políticas de juros negativos e ao aumento da base monetária.

"Os ganhos de eficiência tecnológica, como o aumento na produção de petróleo, deveriam tornar produtos como a gasolina mais baratos, mas o crescimento da dívida pública e o aumento da base monetária anulam esse efeito", afirmou.

Ele destaca que, ao longo do tempo, a produção de bens e serviços se tornou mais eficiente, mas o endividamento crescente dos governos fez com que esses avanços não chegassem de forma justa aos trabalhadores.

O abandono do padrão-ouro, de acordo com Renato, foi um divisor de águas. A partir desse momento, muitos dos benefícios tecnológicos que poderiam elevar a qualidade de vida da população foram diluídos pelo crescimento descontrolado da oferta monetária. Ele acredita que essa é uma das principais razões para a estagnação da riqueza real da população.

Renato vê o Bitcoin como uma solução para esse ciclo vicioso. Ele acredita que o Bitcoin pode alterar as dinâmicas não apenas entre governos e governados, mas também entre as gerações.

"Antes do Bitcoin, qual ativo você poderia levar para o túmulo sem ser confiscado? O Bitcoin é o primeiro ativo que nem a morte pode tomar de você", declara.

Essa visão coloca o Bitcoin, segundo ele, em um patamar único na história dos ativos financeiros, tornando-se uma ferramenta poderosa para a preservação de valor em tempos de crise econômica e inflação descontrolada.

Governos querem controlar o Bitcoin

No entanto, ele menciona que, assim como o governo americano confiscou o ouro de seus cidadãos durante a Grande Depressão, algo semelhante pode ocorrer com as criptomoedas até 2033, à medida que os governos tentam controlar o setor.

Renato não poupa críticas ao atual sistema econômico, em particular ao que chama de "destruição do Plano Real" pelas políticas governamentais. Ele aponta o aumento da base monetária como uma das principais causas da inflação que corrói o poder de compra das pessoas.

Além disso, ele prevê que o controle de capital será uma medida inevitável dos governos em tempos de hiperinflação, o que pode gerar distorções no valor do Bitcoin, com spreads que variam entre 10% e 20%.

Ele também vê uma oportunidade de retorno para as operações de arbitragem entre mercados, algo que já foi comum entre 2014 e 2017. No entanto, ele alerta que, à medida que o Bitcoin e outras criptomoedas se consolidam, muitos dos serviços financeiros tradicionais terão que se adaptar a uma nova realidade.

Para Renato, o Bitcoin representa uma esperança para aqueles que buscam escapar do controle estatal sobre o dinheiro. Ele acredita que, com o avanço das criptomoedas, será possível ver uma mudança significativa nas relações econômicas e políticas globais.

"Enquanto os governos continuarão a tentar manter o controle sobre o sistema financeiro, o Bitcoin oferece uma saída revolucionária, permitindo que indivíduos preservem sua riqueza de uma maneira antes inimaginável", destacou.

O mundo quebrou em 2008

Também presente no evento, Luiz Fernando Roxo, economista e estrategista de investimentos, traçou um panorama crítico sobre o cenário macroeconômico global durante uma recente análise. Em sua avaliação, Roxo destacou os desafios fiscais enfrentados por países na Zona do Euro, Estados Unidos e Brasil, alertando para o risco de uma recessão iminente, apesar do discurso otimista que vem sendo difundido pela mídia tradicional.

Segundo Roxo, o cenário atual é marcado por tentativas consecutivas dos bancos centrais de elevar as taxas de juros com o objetivo de conter a inflação. “Estamos passando pela 11ª ou 12ª tentativa de aperto monetário”, disse o economista, referindo-se ao ciclo iniciado em 2022 e que perdura até o final de 2023 e início de 2024.

Apesar dos sinais recentes de redução dos juros, Roxo alerta que, historicamente, 11 das 12 tentativas semelhantes resultaram em recessão. Roxo critica a narrativa dominante de que a economia pode passar por um 'soft landing', ou seja, uma desaceleração suave que evitaria uma recessão.

Para ele, os indicadores macroeconômicos, como a curva de juros invertida nos Estados Unidos, sugerem o contrário. “Estamos há dois anos com a curva de juros de curto prazo acima da de longo prazo, o que é um claro sinal de problemas financeiros”, afirmou.

Além disso, Roxo aponta para o desemprego, que já ultrapassou níveis críticos, e destaca que, sempre que isso ocorreu no passado, o desfecho foi uma recessão. Embora a curva de juros americana esteja começando a se normalizar, ele alerta que, historicamente, uma grande correção no mercado ocorre entre 60 e 90 dias após o Federal Reserve (o banco central dos EUA) reduzir as taxas de juros.

Bitcoin é a solução para o endividamento global e risco sistêmico

Um dos pontos mais preocupantes levantados por Roxo é o nível de endividamento global. “O mundo deve hoje cerca de 400% do PIB global”, destacou. Para Roxo, essa dívida é insustentável e, para ser paga, seria necessário que o mundo crescesse a uma taxa de 15% ao ano, algo que ele considera impossível.

Ele relembra a crise de 2008, quando o sistema financeiro global quebrou devido à alavancagem excessiva dos bancos. “Quando a crise estourou, os governos injetaram dinheiro para salvar os bancos, mas a liquidez injetada não foi suficiente para reverter a fragilidade do sistema”, explicou.

Roxo também explorou possíveis alternativas para mitigar os impactos de uma recessão, sugerindo que o Bitcoin poderia desempenhar um papel relevante. Ele argumenta que o sistema financeiro global pode colapsar se os bancos centrais voltarem a imprimir dinheiro em larga escala.

“O endividamento atual é tão grande que, quando os bancos centrais decidirem ligar a ‘impressora de dinheiro’ novamente, a economia pode colapsar de vez.”

Por fim, o economista sugere que, diante dessa incerteza, é necessário discutir a criação de uma nova realidade econômica, uma “restauração ou refundação do sistema monetário”. Segundo ele, o Bitcoin poderia ser uma peça chave nesse processo, especialmente em um cenário de caos econômico global.