Resumo da notícia:
Três vetores devem ocupar espaço central para o ciclo do mercado de criptomoedas em 2026.
Ano será marcado por maior aproximação entre as finanças tradicionais (TradFi) e a blockchain.
Stablecoins devem avançar para fintechs, pagamentos internacionais, liquidação entre empresas e gestão de caixa corporativa.
Bitcoin é incorporado a estratégias de alocação institucional e portfólios diversificados.
A Binance divulgou esta semana um relatório com as principais perspectivas para o mercado de criptomoedas em 2026, ano com potencial decisivo para a consolidação do setor na economia global.
O estudo da Binance Research, braço de pesquisa da exchange de criptomoedas, apontou três vetores que devem ocupar espaço central para o ciclo de 2026 do mercado de criptomoedas: avanço regulatório em grandes mercados, crescimento das stablecoins como infraestrutura de pagamentos e liquidação financeira, e aumento da participação institucional em produtos e aplicações baseadas em blockchain.
TradFi abraça criptomoedas
Segundo o relatório, 2026 será marcado por maior aproximação entre as finanças tradicionais (TradFi) e a blockchain, tecnologia que suporta as criptomoedas. Para a exchange, o ambiente macroeconômico pode se tornar mais favorável ao risco ao longo de 2026, combinando possível flexibilização monetária, estímulos fiscais e maior previsibilidade regulatória. Historicamente sensível à liquidez global, o mercado cripto tende a se beneficiar deste cenário, especialmente em aplicações ligadas a pagamentos, gestão de caixa, liquidação internacional e produtos financeiros digitais.
A Binance Research destacou que o ciclo das criptomoedas esse ano tende a ser menos guiado por especulação e mais pela adoção prática da tecnologia, com soluções integradas a fluxos financeiros já existentes. De acordo com o relatório, a expansão do mercado deve ocorrer, sobretudo, em áreas onde o blockchain atua como infraestrutura, ao reduzir custos, ampliando eficiência e permitindo liquidações mais rápidas e globais.
Stablecoins na economia real
O relatório indicou que as stablecoins foram o segmento que mais avançou em direção ao uso mainstream em 2025. A capitalização total desses ativos cresceu quase 50% no ano, ultrapassando US$ 305 bilhões. O volume diário médio de transações atingiu cerca de US$ 3,5 trilhões, enquanto o volume anual chegou a US$ 33 trilhões, um patamar superior ao de grandes redes globais de pagamento.

Para 2026, a expectativa da Binance é de expansão ainda maior, com stablecoins sendo utilizadas não apenas dentro do ecossistema cripto, mas também em fintechs, pagamentos internacionais, liquidação entre empresas e gestão de caixa corporativa. Nesse caso, o relatório destacou ainda o avanço regulatório, especialmente nos Estados Unidos, como um fator-chave para ampliar a confiança institucional e permitir a entrada de novos emissores e modelos de negócio.
Bitcoin sentado à janela
Outro destaque do estudo é o papel crescente do Bitcoin (BTC) como ativo macroeconômico. Em 2025, o BTC manteve dominância entre 58% e 60% do mercado cripto e encerrou o ano com capitalização próxima a US$ 1,8 trilhão, reforçando seu status como o principal ativo digital do setor.

A demanda, segundo a Binance Research, passou a fluir cada vez mais por canais regulados. Os fundos negociados em bolsa (ETFs) à vista (spot) de Bitcoin nos Estados Unidos registraram mais de US$ 21 bilhões em entradas líquidas ao longo do ano, enquanto as reservas corporativas ultrapassaram 1,1 milhão de BTC — o equivalente a cerca de 5,5% da oferta total. Esse movimento indica que o Bitcoin vem sendo progressivamente incorporado a estratégias de alocação institucional e portfólios diversificados, aproximando-se do comportamento de outros ativos macro globais.
Amadurecimento vindo de 2025
Apesar de um ano marcado por volatilidade e incertezas macroeconômicas, 2025 foi descrito pela Binance Research como um período de avanços estruturais. A capitalização total do mercado cripto superou US$ 4 trilhões pela primeira vez, mesmo em um ambiente impactado por política monetária restritiva, tensões geopolíticas e ruídos fiscais.
Para os analistas, o descolamento entre oscilações de preço e evolução estrutural — em regulação, infraestrutura e adoção — é um sinal claro de amadurecimento do setor. Em 2026, o mercado de criptoativos entra em uma nova fase, mais conectado à economia real, com crescimento sustentado por uso recorrente, integração institucional e soluções compatíveis com marcos regulatórios, segundo o relatório.
Segundo o documento, a próxima etapa do setor deve favorecer aplicações escaláveis, capazes de atender tanto usuários individuais quanto empresas, consolidando os criptoativos como parte consolidada da arquitetura financeira global.
Em seu relatório mensal a Binance também avaliou que o Bitcoin tem chance de recuperar perdas para o ouro, conforme noticiou o Cointelegraph Brasil.

