A iniciativa editorial do Cointelegraph Brasil "Melhores de 2022" chega ao seu final revelando as duas empresas de criptomoedas que foram destaque no Brasil em 2022.
O Melhores de 2022 começou a revelar os escolhidos pela editoria do Cointelegraph Brasil em fevereiro, reconhecendo Tatiana Revoredo e Solange Gueiros como Personalidades Femininas do ano e Liqi e MB Tokens como melhores empresas blockchain de 2022.
Já em março, revelamos a escolha de duas personalidades masculinas no ano: Daniel Coquieri (Liqi) e José Artur Ribeiro (Coinext).
A escolha das melhores empresas e personalidades do ano de 2022 passou por três etapas: a primeira convidou players e jornalistas a indicarem 3 escolhidos em 4 categorias: Melhor Empresa Cripto, Melhor Empresa Blockchain, Personalidade Masculina e Personalidade Feminina.
Na segunda etapa, os mesmos puderam apontar seus vencedores através de múltipla escolha. Finalmente, na última etapa a editoria do Cointelegraph Brasil se reuniu para escolher, a partir dos nomes indicados, os homenageados brasileiros do maior portal de notícias de criptomoedas e blockchain do planeta em 2022.
Finalmente, reconhecemos as duas empresas brasileiras que se destacaram no mercado de criptomoedas em 2022: Mercado Bitcoin e Coinext.
Mercado Bitcoin
Com ampla atuação no setor, o MB (Mercado Bitcoin), é um dos primeiros e principais nomes da criptoeconomia na América Latina, além de ser o primeiro unicórnio cripto no Brasil. A história da exchange começa em 2013, quando os irmãos brasileiros Gustavo e Maurício Chamati fundaram a empresa em São Paulo. Na época, a negociação de criptomoedas no Brasil ainda era pouco conhecida – realidade que posicionou o MB como uma das primeiras empresas a oferecer um serviço de exchange de bitcoin no Brasil e uma das mais antigas do mundo.
A fórmula rendeu frutos: em 2016, três anos depois de sua fundação, a empresa iniciou o ano com 100 mil clientes cadastrados, e fechou o ano tendo negociado R$ 90 milhões na plataforma, contra R$ 35 milhões negociados no ano anterior. (1). Em pouco tempo, a empresa se tornou a maior exchange de criptoativos do país.
Em 2019, a exchange entendeu haver oportunidade de construir um novo segmento de mercado, com a inauguração do MB Tokens, empresa da holding 2TM, que surgiu com a proposta de organizar o mercado de ativos alternativos através da representação de contratos de cessão de direitos na tecnologia blockchain, construindo assim uma nova infraestrutura para investimentos.
Por meio da tokenização, ou seja, a representação digital daqueles contratos, foi possível padronizar, fracionar, agrupar, oferecer liquidez, menores taxas e pagamento antecipado ao proprietário do ativo, além de democratizar o acesso a ativos de high yiel, antes limitados a grandes fortunas e investidores institucionais.
"Quando decidimos transformar o MB, em 2019, em uma FMItech, a intenção era aproveitar as características de um token para promover a disrupção da Financial Market Infrastructure (FMI). Com algumas dezenas de profissionais oriundos da B3, nos colocamos na missão de utilizar o smart contract para reproduzir de uma maneira mais simples, inteligente e barata as funções de DvP (delivery versus payment), registro (BlockchainCetifica) e depósito/custódia digital (Bitrust Custody). Algumas dessas entregas foram pioneiras no cenário cripto global", afirma Reinaldo Rabelo, CEO do MB.
"A tokenização de recebíveis via non-security tokens foi referência para diversas plataformas no Brasil e no mundo, e acreditamos que terá um tratamento equilibrado no processo regulatório que deve ser coordenado pelo João Pedro Nascimento, na CVM. No meio do caminho, também nos orgulhamos de ter organizado o mercado de ativos alternativos (cessão de créditos públicos e privados constituídos), além de obter dispensa formal da CVM para esse processo no ano seguinte, com o Token do Vasco", ressalta.
Desde 2019, a exchange oferece tokens de precatórios, consórcios, fluxos de pagamento, ativos de energia e tokens de esporte com mecanismo de solidariedade da FIFA (Vasco Token e Token da Vila). Pioneiro no setor, o MB atingiu a marca de R$ 300 milhões de ativos tokenizados. E no início deste ano, fez sua primeira “exportação” dos ativos para Portugal, originados no Brasil e comercializados por meio da Criptoloja - exchange portuguesa, regulada pelo banco central europeu e adquirida pelo grupo 2TM em 2021.
Em 2021, a 2TM, holding do MB, também realizou suas primeiras captações junto a investidores, desde a fundação, ao aportes de cerca de R$ 1,5 bilhão em duas rodadas, sendo a primeira liderada por GP Investments e Parallax, com participação de Mercado Livre, Banco Genial e outros fundos estratégicos; e a segunda, com liderança do Softbank Latin American Fund, com participação de fundos americanos especializados no setor, como Tribe e 10T.
Trata-se da maior rodada Série B da América Latina e, ao mesmo tempo, o maior investimento em uma empresa cripto já realizado pelo SoftBank na região. Foi ainda a primeira investida do 10T em uma companhia na América Latina, em rodada que ainda contou com Traders Club, Pipo Capital e Endeavor, por meio de seu Scale Up Ventures Fund.
Em outra frente de atuação, a exchange foi selecionada para desenvolver um dos nove projetos selecionados para o LIFT (Laboratório de Inovações Financeiras e Tecnológicas), projeto do Bacen em parceria com a Fenasbac. A solução prevê o desenvolvimento de um MVP para casos de uso Real Digital. "Propusemos a comercialização de ativos reais tokenizados através da stablecoin MBRL por meio do método de pagamento versus entrega (DvP), no qual a compensação pelo recurso ocorre no mesmo instante em que seu direito de propriedade é transferido para o comprador", afirma Rabelo.
*Por Cassio Gusson
Coinext
Fundada em abril de 2018, a Coinext é, atualmente, vista por usuários como uma das melhores exchanges do mercado brasileiro de criptomoedas. José Artur Ribeiro, CEO da plataforma, conta que 2022 foi um ano de muitas conquistas para a Coinext, mesmo em meio a um cenário macroeconômico turbulento.
O primeiro marco positivo apontado por Ribeiro é a marca de 340 mil usuários cadastrados na Coinext em seus quase cinco anos de operação, dos quais 71% permaneceram ativos na plataforma durante o ano passado. “Além disso, atingimos a marca de R$ 9,5 bilhões movimentados desde nossa entrada no mercado, e estamos entre as cinco corretoras mais acessadas do Brasil, segundo dados do SimilarWeb.”
A expansão da Coinext no ano passado não foi reconhecida apenas por usuários. Ribeiro destaca que a exchange ficou com o 14º lugar das empresas brasileiras, com faturamento entre R$ 5 milhões e R$ 30 milhões, que mais cresceram entre 2021 e 2022. “Também fomos finalistas do Prêmio IDEIA ABBC, com o Coinext Pay, nossa solução de pagamentos”, acrescenta.
Avanços em segurança também foram feitos pela Coinext em 2022, conta Ribeiro, através de uma parceria com a BitGo. A empresa estadunidense, licenciada junto aos reguladores do país, é responsável pela custódia dos ativos da exchange. “Mais de 93% dos nossos ativos têm a custódia protegida pela BitGo.”
Esses avanços foram feitos em um ano em que, na avaliação do CEO da Coinext, o “sex appeal” das criptomoedas foi perdido. “O aumento nas taxas de juros, sobretudo nos Estados Unidos, fez com que o dinheiro fluísse para ativos com menos risco, fazendo com que as criptomoedas perdessem um pouco o apelo. Esse foi o desafio mais difícil de 2022, sem mencionar os diversos episódios de empresas colapsando no mesmo ano.”
Em 2023, a Coinext pretende continuar realizando novas conquistas. Ribeiro revelou ao Cointelegraph Brasil, em primeira mão, que a exchange recebeu um ofício recente da Comissão de Valores Mobiliários e da ANBIMA sobre a abertura de uma gestora.
“O processo de obtenção da licença já está em passos acelerados, e daqui alguns dias abriremos nosso fundo. Acreditamos que essa é uma bandeira importante que fincamos no mercado regulado para investir em cripto. Queremos atingir o público institucional, e temos uma equipe de gestão muito experiente, com um track record que já estamos gerando dentro de uma mesa proprietária da própria Coinext.”
Além da Coinext Asset, que será uma gestora de ativos com negócios separados da exchange, Ribeiro comenta que a empresa continuará dando grande foco em tokenização. “Entendemos que, cada vez mais, o mercado busca ativos alternativos. Tivemos um tremendo sucesso com os tokens de royalties musicais, que têm tido um retorno incrível. Somente no mês de janeiro, foram 4,2% de retorno.”
A Coinext também tem preparada uma estrutura de staking. Ribeiro ressalta, porém, que ainda estão aguardando o melhor momento para o lançamento destes produtos, que deve surgir após mais esclarecimentos sobre o tema no mercado cripto brasileiro.
Embora não tenha nomeado produtos, o CEO da Coinext aponta que a definição do ente regulador do mercado cripto, junto com a criação das regras para este setor, será fundamentais para guiar os próximos passos da empresa.
“Há uma expectativa muito grande sobre esse processo regulatório em 2023. Haverá um aumento da segurança jurídica para exchanges, e o mercado se tornará mais ‘natural’ para investidores institucionais, que têm um ‘grande cheque’, como family offices, que querem entrar mas, por questões de preconceito pela ausência de regulamentação, a regulamentação dará uma sensação maior de segurança para esses players. Isso aumenta o tamanho do mercado, e estamos confiantes de que esse será um ano próspero ”, conclui José Artur Ribeiro.
*Por Gino Matos