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Cassio Gusson
Escrito por Cassio Gusson,Redator
Lucas Caram
Revisado por Lucas Caram,Editor da Equipe

B3, a bolsa de valores do Brasil, ganha R$ 131 milhões em receita com produtos de criptomoedas

B3 registra menos negociação de cripto no 4T25, mas aumenta lucro por contrato e reforça força dos derivativos.

B3, a bolsa de valores do Brasil, ganha R$ 131 milhões em receita com produtos de criptomoedas
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Resumo da notícia

  • B3 registra queda de 6,8% no ADV, puxada por menor negociação de cripto e câmbio.

  • RPC sobe 0,3%, refletindo maior lucratividade por contrato, especialmente em cripto e juros.

  • Receita com produtos cripto cai pela metade no ano, apesar da melhora no quarto trimestre.

A B3 S.A. (B3SA3) divulga nesta sexta, 27, os resultados financeiros do quarto trimestre e os dados consolidados do ano de 2025 na Bolsa e revelou que os contratos futuros de Bitcoin tiveram uma redução na negociação no T4 mas oferecendo um lucro maior para a bolsa. Somando o resultado anual, a B3 teve uma receita de R$ 131 milhões com os produtos de criptomoedas (Futuros de Bitcoin, Ethereum e Solana)

De acordo com a B3, o ADV caiu 6,8%, chegando a 10,7 milhões de contratos diários. O motivo principal foi a forte redução nos volumes de criptoativos e câmbio, duas classes que perderam intensidade no período. Ainda assim, esse movimento foi parcialmente compensado pela alta nos contratos de juros em reais e nos derivativos de índices, que seguiram com demanda firme no fim do ano.

Por outro lado, o dado mais chamativo do relatório aparece na RPC, que subiu 0,3%. A bolsa explicou que esse avanço ocorreu principalmente pelo aumento da RPC em taxas de juros e criptoativos. Ou seja, mesmo negociando menos, o mercado pagou mais por contrato em produtos ligados a cripto. Esse cenário reforça a ideia de que o segmento se sofisticou e passou a operar com estruturas de maior valor.

O relatório também destacou o comportamento dos derivativos de balcão, que mostraram queda de 4,7% nas emissões, mas alta de 6,3% no estoque médio. Assim, o movimento indica que as instituições abriram menos posições novas, mas mantiveram ou ampliaram o tamanho das posições existentes. O dado não é exclusivo de cripto, porém reforça a busca por operações estruturadas em um trimestre de menor volatilidade.

O gráfico apresentado pela B3 revela que, embora a bolsa registre R$ 24 milhões em receitas com produtos cripto no 4T25, esse número é praticamente metade do registrado no 1T25, quando o segmento havia alcançado R$ 47 milhões. Assim, mesmo com o crescimento trimestral, o setor ainda opera longe do pico observado no início do ano.

 

“Em 2025, a B3 consolidou a força do seu modelo de negócios diversificado, sustentado por uma estratégia consistente e executada com eficiência, disciplina e clareza de propósito. Em um cenário macro ainda desafiador, a companhia manteve sua excelência operacional ao mesmo tempo em que acelerou a modernização de sua infraestrutura tecnológica e expandiu seu portfólio de produtos, reforçando a prontidão para capturar oportunidades”, comenta André Veiga Milanez, diretor-executivo Financeiro, Administrativo e de Relações com Investidores.

Dados da B3 

O relatório destaca também que as despesas somaram R$3,4 bilhões, com crescimento de 1%. Excluindo as linhas de depreciação e amortização e atreladas ao faturamento, o crescimento teria sido de 5%, levemente acima da inflação do período, reforçando a disciplina no controle de despesas sem comprometer a agenda robusta de lançamento e fortalecimento de produtos.

O lucro líquido recorrente totalizou R$5,3 bilhões, crescimento de 10%. O lucro líquido recorrente por ação foi de R$1,01, contra R$0,88 no ano anterior, o que representa crescimento de 16% e reflete a execução dos programas de recompra de ações pela companhia.

Em 2025, o retorno aos acionistas foi de R$6,3 bilhões, sendo R$3,0 bilhões em JCP e R$3,3 bilhões em recompras, o que representou 4,6% do capital social da companhia. O payout, que é o percentual de lucro que uma empresa paga aos seus acionistas foi de 137%, no período.

No final do ano passado, foi anunciado o aumento da Contribuição Social sobre o Lucro Líquido (CSLL), com isso, a B3 reconheceu um impacto na atualização dos impostos diferidos ligados à amortização fiscal do ágio, no valor de aproximadamente R$1,0 bilhão. No entanto, a movimentação contábil é pontual e extraordinária, o benefício fiscal já foi utilizado e não causará nenhum reflexo na geração de caixa da companhia. 

Em 2026, a estratégia da companhia permanece ancorada em dois principais pilares: fortalecimento e dos negócios principais e diversificação em atividades que potencializem suas características únicas. O foco é maximizar as oportunidades nos negócios principais e antecipar tendências, por meio da contínua expansão do portfólio de produtos e serviços, do fortalecimento da infraestrutura tecnológica e da adoção de inteligência artificial e tecnologias emergentes.”, afirmou a bolsa.

Mercados

O relatório também aponta que o segmento Mercados, que inclui Renda Variável, Derivativos, Empréstimo de Ativos, Renda Fixa e Crédito, teve receita de R$ 7,4 bilhões no ano, o que representa aumento de 3,1% em comparação com 2024.

 Em Renda Variável, o volume financeiro médio diário negociado (ADTV) do mercado à vista totalizou R$24,4 bilhões, o que representa alta de 1,5% em relação a 2024. Os volumes de ETFs e BDRs registraram altas de 13,3% e 48,0%, que compensaram a queda de 1,1% em ações.

A participação de ETFs, BDRs e Fundos Listados representaram 15,5% do volume total no ano, versus 13% em 2024. As receitas do segmento totalizaram R$2,2 bilhões, uma queda de 2,4%. Mesmo com a taxa Selic no patamar de 15% ao ano, os volumes ficaram significativamente acima dos níveis pré-pandemia, evidenciando a importante evolução estrutural do mercado.

 Em Derivativos, o volume médio diário negociado (ADV) somou 10,8 milhões, 6,3% abaixo de 2024. Já em Derivativos de Balcão, as emissões cresceram 6,0%, enquanto o estoque cresceu 17,0%. Mesmo com redução nos volumes, a receita reduziu apenas 1,5%, somando R$3,6 bilhões, demonstrando a eficácia dos mecanismos de tarifação do segmento.

 No segmento de Renda Fixa e Crédito, o volume de novas emissões de instrumentos de captação bancária cresceu 18,0%, principalmente em razão do aumento de 17,9% nas emissões de CDBs. As emissões de outros instrumentos de renda fixa tiveram alta de 13,5%. O estoque médio de instrumentos de captação bancária teve aumento de 16,3%, enquanto o estoque de debêntures cresceu 21,6%, demonstrando mais um ano de atividade robusta no mercado primário de dívida corporativa. O Tesouro Direto registrou aumentos de 17,2% no número de investidores e de 27,2% no estoque médio.

O segmento Soluções para o Mercado de Capitais teve receita de R$ 672,4 milhões, alta de 10,1%. Em dados para mercados de capitais, a receita foi de R$327,1 milhões, no ano, alta de 15,3%, explicada pelo crescimento da receita dos produtos e pela correção por inflação dos preços do market data. Na depositária, o número médio de investidores cresceu 4,0% e as receitas somaram R$206,2 milhões, alta de 9,7%.

Já o segmento de Soluções Analíticas de Dados, que inclui os produtos da Neoway, Neurotech, Unidade de Infraestrutura para Financiamento, Pdtec e Datastock, foi agrupado sob uma nova marca chamada Trillia, com o objetivo de fortalecer o desenvolvimento e a oferta de produtos de dados. Neste segmento, a receita foi de R$1,1 bilhão, alta de 10,3%. A linha de Plataformas e Dados Analíticos teve receita de R$ 551,4 milhões, no ano, alta de 17,5%, explicada pelo crescimento das verticais de Crédito, Prevenção a Perdas e Seguros.

 Na unidade de Financiamento, o número de veículos vendidos no Brasil em 2025 aumentou 13,5%, enquanto o número de financiamentos cresceu 2,0%, reflexo da contínua expansão da carteira de crédito para aquisição de veículos. O percentual de veículos financiados alcançou 31,5% dos veículos vendidos. As receitas do segmento totalizaram R$572,1 milhões, com aumento de 4,2%.

O segmento Tecnologias e Plataformas, teve receita de R$ 1,9 bilhão, aumento de 14,8%. A quantidade média de clientes do serviço de utilização mensal dos sistemas de Balcão aumentou 4,5%, devido ao crescimento da indústria de fundos no Brasil. As receitas de Tecnologia somaram R$1,2 bilhão, alta de 9,9%, refletindo o aumento no número de clientes no segmento de Balcão, as correções anuais de preços pela inflação, e o aumento das receitas com co-location e serviços de conectividade.

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