A corrida espacial pode impactar fortemente o valor dos ativos de investimento no planeta Terra e, com isso, o valor de mercado do ouro pode derreter nos próximos anos, enquanto o Bitcoin (BTC) pode subir mais de 10.000% e se tornar a grande reserva de valor global.

Isso pode ocorrer devido às propostas, em estágio avançado, de exploração de recursos minerais em asteroides próximos à órbita da Terra e além. A primeira missão do tipo inclusive já tem data de lançamento: abril deste ano. 

A startup AstroForge anunciou que o primeiro lançamento de um sistema de exploração de asteroides irá ocorrer em abril. Este primeiro lançamento, utilizando um foguete da SpaceX, será ainda um teste da técnica de mineração espacial da empresa. Porém, em outubro a empresa já planeja um lançamento oficial para um asteroide ainda não revelado.

O foco da AstroForge ainda não é o ouro, mas metais do grupo da platina. Segundo estudos da empresa, explorar este tipo de metal fora da Terra é menos oneroso e poluente do que o processo feito em nosso planeta.

Asteroide com US$ 10.000.000.000.000.000.000 em ouro

Enquanto a AstroForge foca em metais ligados a plantina, a SpaceX, em parceria com a Nasa, tem seu objetivo orientado para o ouro e para o asteroide conhecido como 16 Psyche, que contém nada menos que US$ 10.000.000.000.000.000.000 em ouro e metais preciosos.

Localizado entre Marte e Júpiter, orbitando o Sol, o asteroide é praticamente uma estrutura inteira feita de ouro e metais. São cerca de 120 quilômetros de largura constituídos de ouro, níquel, ferro, platina e outros metais. Os cientistas alegam que se somente uma parte pequena pudesse ser trazida para a terra, o preço do ouro entraria em colapso, assim como de outros metais devido a enorme quantidade que há no asteroide.

Musk e a Nasa planejavam lançar a primeira missão para o asteroide no ano passado, mas o lançamento foi adiado e agora há possíveis períodos de lançamento em 2023 e 2024, mas as posições orbitais relativas de Psyche e Terra significa que a espaçonave não chegaria ao asteroide até 2029 e 2030, respectivamente.

As datas exatas desses possíveis períodos de lançamento ainda não foram determinadas. Segundo a NASA, o objetivo da missão é estudar a estrutura do 16 Psyche e não fazer mineração, no entanto, Musk já afirmou que entre os estudos da missão está identificar a viabilidade de exploração do asteroide.

Para tanto, ainda em 2020 o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, assinou uma ordem executiva, na qual declara que os EUA podem minerar recursos minerais na Lua ou em qualquer asteroide.

A ordem chamada "Encouraging International Support for the Recovery and Use of Space Resources"  também permite que empresas americanas possam coletar, explorar e 'arrancar' qualquer recurso de qualquer satélite natural e também em asteroides do Sistema Solar.

Seguindo na linha da mineração espacial, recentemente a astrônoma Chiaki Kobayashi, líder de um estudo sobre a existência de ouro no universo, declarou que o metal precioso tem um fornecimento praticamente infinito e, segundo declarou, assim que a mineração no espaço se tornar viável haverá tanto ouro na Terra que o metal será como uma 'pedra de rio'.

Kobayashi que é pesquisadora da Universidade de Hertfordshire, Reino Unido, declarou que existe tanto ouro no universo que é impossível mensurar a quantidade existente.

"De acordo com nosso modelo, a massa de ouro produzida no Universo durante seus 13,8 bilhões de anos é 4 × 10(elevado à 42ª potência) kg, o que é apenas entre 10% e 20% do que se estima a partir de observações em meteoritos, no Sol e em outras estrelas próximas.", disse.

Ouro no universo

Desta forma, segundo a pesquisadora, é impossível determinar quanto de ouro existe tendo em vista que só conhecemos uma parte infinitamente pequena do universo.

"Ele pode ser infinito — não sabemos com certeza —, mas sabemos que só podemos ver uma parte do Universo", disse.

Segundo um estudo da pesquisadora divulgado no Astrophysical Journal, para formar uma única partícula de ouro, é necessário formar núcleos atômicos compostos por 79 prótons e 118 nêutrons cada.

"Isso significa que precisa haver uma fusão nuclear além da capacidade do ser humano"

Desta forma, segundo a cientista, o ouro que há na terra teria "vindo do espaço"

A colisão de estrelas de nêutrons — corpos que são remanescentes de supernovas antigas ou grandes estrelas — conseguem criar essas partículas com um número maior de nêutrons do que prótons.

"Frutos de colisões no Universo, muitos meteoritos contendo ouro acabaram caindo na Terra quando o planeta estava em formação", disse.

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