O presidente da Argentina, Javier Milei, demitiu o chefe da autoridade fiscal do país em meio a uma reação negativa sobre um imposto controverso que mira streamers e influenciadores.
De acordo com reportagens da mídia local, Florencia Mizrahi, que atuava como chefe da agência federal de receitas da Argentina, conhecida como ARCA, foi removida de sua posição após críticas crescentes sobre um novo regime tributário que mira streamers e influenciadores no país latino-americano.
O plano de impostos exigiria que criadores de conteúdo digital relatassem a renda gerada em plataformas de redes sociais, como YouTube, Instagram e Twitch, incluindo ganhos com acordos de marcas e publicidade.
Em um anúncio no X, o gabinete de Milei afirmou que sua administração não atacará negócios digitais no país:
“Este governo não atacará novas formas de negócios digitais e reitera seu compromisso de trabalhar em um sistema tributário simplificado.”
A agência será agora liderada por Juan Pazo, um advogado que havia sido anunciado recentemente como secretário de relações econômicas internacionais no Ministério das Relações Exteriores.
A Argentina na era de Milei
De acordo com reportagens da mídia local, por trás da reestruturação da liderança está a política fiscal de Milei. Durante seu primeiro ano na Casa Rosada — equivalente à Casa Branca dos Estados Unidos — Milei buscou reformas econômicas profundas no país, incluindo reduções de pessoal e uma reestruturação do sistema tributário. A agência tributária enfrentou críticas por supostamente altos salários, levando a tensões internas no governo.
A Argentina tem lutado contra a hiperinflação nos últimos anos, o que impulsionou a popularidade e a adoção de ativos digitais.
As políticas econômicas de Milei têm gerado debates significativos no país. Enquanto alguns elogiam suas medidas por reduzirem a inflação e estabilizarem o peso, outros expressam preocupação com seu impacto social nos mais vulneráveis.
Dados do Trading Economics revelam que os preços ao consumidor na Argentina subiram 193% no comparativo anual em outubro de 2024, marcando o sexto mês consecutivo de desinflação e o menor aumento do ano, abaixo dos 209% em setembro.
Preços ao consumidor na Argentina nos últimos 5 anos. Fonte: Trading Economics