A queda de mais de 10% no preço do Bitcoin (BTC) deixou muitos investidores preocupados de que os touros não consigam segurar o suporte de US$ 55 mil e, com isso, o preço da maior criptomoeda do mercado possa recuar para US$ 50 mil e até mesmo abaixo desta marca.
Sebastián Serrano, CEO e cofundador da Ripio, destaca que vários fatores corroboraram com a queda atual, como a liquidação de ativos da Mt. Gox, que gerou medo no mercado, mas para Serrano esse medo é um pouco exagerado, pois muitos venderam suas posições e outros compraram para mantê-las a longo prazo.
Além disso, ele aponta que a Alemanha realizou uma grande venda de Bitcoins apreendidos de criminosos, no entanto, em vez de vendê-los no mercado OTC, os enviaram para exchanges, o que aumenta a oferta no mercado e reduz o preço.
Como terceiro ponto, ele destaca que até as eleições presidenciais ocorrerem nos EUA, há uma incerteza política que afeta o mercado cripto.
"Os cenários são: se Trump vencer, seria positivo em termos regulatórios para o ecossistema da economia digital, já que a administração atual é anticripto. Se Biden vencer, pode ser negativo para o mercado. É provável que vejamos um movimento lateral no preço até que o quadro fique mais claro", disse.
Segundo ele, esse movimento de baixa e lateralização é bom e necessário. As criptomoedas estavam se movendo muito rápido e superaqueceram o mercado. Para ele, essa lateralização permite que aqueles que deveriam ter saído o façam, e que novas pessoas e empresas entrem a preços mais altos, fortalecendo o mercado a longo prazo.
"Por outro lado, embora seja verdade que a queda tenha sido sustentada, ela não foi tão pronunciada, ou pelo menos não foi tão violenta, como em outros momentos em que a tendência de alta terminou e passou para o bear market. Por exemplo, após o ATH em maio de 2021, derivado do quarto ciclo de halving do Bitcoin, houve um grande movimento de vendas em que cerca de 50% do BTC foi negociado, fazendo com que o preço caísse sistematicamente em cada onda de vendas", destacou.
No entanto, ele destaca que o Bitcoin continua a crescer e há mais transações e maneiras de comprar e acessá-lo. "Os fundamentos são sólidos e, embora o preço às vezes não acompanhe, é importante se manter firme".
3 criptomoedas para comprar em julho
Já Ana de Mattos, Analista Técnica e Trader Parceira da Ripio, disse que enquanto o Bitcoin preocupa os investidores mais 'fracos' os traders podem lucrar ao olhar para o amplo mercado de altcoins. Diante disso, ela indicou 3 criptomoedas para comprar em julho e lucrar.
Ana foi certeira em uma de suas análises ao Cointelegraph ao apontar que o preço do BTC estava prestes a perder o suporte de US$ 60 mil e recuar para US$ 55 mil, o que de fato ocorreu na semana passada.
A primeira na lista é o Ethereum, projeto precursor dos smart contracts e aplicativos descentralizados, é a segunda criptomoeda mais negociada do mundo, com capitalização de mercado de mais de US$ 397 bilhões.
ETH acaba de passar por uma bullrun diante da expectativa de aprovação dos ETFs Spot de Ethereum nos Estados Unidos. Em maio, do dia 14 ao dia 27, o ETH valorizou 39%. Atualmente, passa por uma correção após essa alta. Neste cenário, ela afirma que os investidores que aplicam a Estratégia DCA mensalmente já estão colhendo resultados.
"Com os ETFs aprovados pela SEC, o mercado cripto aguarda a conclusão de alguns detalhes que estão em revisão para que as negociações dos fundos sejam liberadas nas bolsas dos EUA. Assim que isso acontecer, Ethereum estará nas maiores corretoras de investimentos do mundo. Por isso, julho é um mês decisivo para o ETH. O influxo de capital previsto para entrar através dos ETFs poderá aquecer o mercado", disse.
A segunda da lista é a Ethena (ENA), um protocolo de dólar sintético construído através da blockchain Ethereum. No centro do projeto está a criptomoeda ENA, que serve como meio de troca e unidade de valor dentro do ecossistema.
Além disso, o projeto possui sua própria moeda estável, a USDe – uma stablecoin lastreada em contratos futuros e tokens de staking líquido na rede Ethereum. Uma proposta bem ousada, que atualmente sustenta um marketcap acima de US$ 3,6 bilhões. Ethena tem chamado a atenção devido ao seu rápido crescimento e já ocupa a 90º posição no ranking de capitalização de mercado.
"Esse projeto, orientado pela estratégia delta hedging, é um ativo com alto risco associado ao seu mecanismo de funcionamento dentro da narrativa DeFi. No entanto, ele também tem o potencial de entregar retornos neste ciclo. Portanto, deve receber um gerenciamento de risco bem apurado e rigoroso por parte do investidor, com vistas a arriscar pouco, a fim de especular sobre essa narrativa que está ganhando tração em julho", afirma.
Fechando a lista esta a Pendle, criptomoeda nativa do protocolo Pendle Finance, um mercado DeFi dentro da rede Ethereum que permite a tokenização e negociação de rendimentos futuros. A Pendle utiliza ETH como colateral para as negociações.
Por se tratar de uma estrutura cross-chain, além da Ethereum, Pendle também é compatível com outras redes, como a Arbitrum e a Optimism. O preço da PENDLE cresceu 65% desde março até agora. Atualmente, está na posição 103 no ranking de capitalização de mercado.
"Outro ponto a se observar é que a Pendle ainda vai distribuir Airdrops para usuários de DeFi. A narrativa de Airdrops tem desempenhado um papel importante no ciclo atual, atraindo a atenção do mercado cripto para participar das campanhas de distribuição de tokens", finalizou.