O América Futebol Clube, equipe de futebol da cidade de Propriá, a 100 km de Aracaju, entrou com uma ação na Justiça Federal contra a atuação de sites de apostas. Segundo uma reportagem do site Mangue Jornalismo, o objetivo seria proteger o clube e seus atletas do assédio das “bets”.
O América de Propriá pediu à Justiça Federal que impeça as plataformas de usarem o nome do clube e de seus jogadores, sob pena de multa.
No entanto, o alvo da ação é o Ministério da Fazenda, responsável pela regulamentação das apostas online no Brasil.
A ação inclui os nomes de todos os atletas inscritos pelo clube no Campeonato Sergipano de Futebol 2025. Aliás, na quarta-feira (05/03), o clube se classificou para a fase semifinal da competição.
América de Propriá critica “pressão” de bets
Joaquim Feitosa, diretor do clube, alega que as plataformas estão usando os nomes do América e de seus jogadores sem autorização:
Isso é abuso de direito de imagem. Hoje, no Brasil, as bets são regularizadas e mesmo assim isso acontece. O América nunca recebeu dinheiro de casas de apostas. Alguém está ganhando dinheiro, as bets estão ganhando, o América, não.
Além disso, o advogado do clube, João Gabriel Teixeira Azevedo, vê risco de manipulação de resultados devido à “pressão” que as plataformas exercem. Em entrevista ao Mangue Jornalismo, ele menciona o contexto econômico dos jogadores:
O impacto das casas de apostas sobre os jogadores pode ser devastador. Atletas jovens e inexperientes, frequentemente vindos de contextos econômicos vulneráveis, tornam-se alvos fáceis para manipulações. A pressão para ‘entregar’ jogos ou influenciar resultados não apenas destrói carreiras, mas também compromete suas reputações.
Apesar disso, Feitosa afirma não ter conhecimento de casos de esquemas de apostas envolvendo o clube.
Já tivemos casos aqui em Sergipe faz alguns anos. A Polícia Federal está investigando. Então, para evitar esses problemas no América e termos um pouco de tranquilidade, resolvemos ficar de fora. Nada contra atleta e contra ninguém.
Acordo com bets não é descartado
Azevedo, o advogado do clube, alega que os sites de apostas não atendem aos “requisitos éticos e morais que o clube preza”.
Com 112 anos de história, o América de Propriá foi constituído como associação de utilidade pública sem fins lucrativos, com o intuito de promover o esporte na cidade.
Feitosa, o diretor do clube, não descarta um acerto com as bets. Afinal, segundo ele, isso pode ocorrer se as plataformas fizerem um contrato com o clube incluindo “cláusulas de valor financeiro”. No entanto, ele também diz não ter ideia de valores.
Segundo a coluna Lei em Campo, a justiça já negou uma primeira liminar em favor do clube.
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