O novo crédito consignado para trabalhadores CLT, proposto pelo governo federal, começa a valer na sexta (21/03); a promessa é simples: facilitar o acesso ao dinheiro e democratizar o crédito.
Porém, como alerta Inon Neves, vice-presidente da Access, a novidade pode esconder riscos graves. Entre eles, o uso do crédito para apostas online, as famosas “bets”.
Com ampla presença nas redes sociais e pouco controle legal, os sites de apostas esportivas e cassinos virtuais — conhecidos como “Jogo do Tigrinho” — viraram uma febre.
A falta de regulamentação da Lei 13.756/2018 abriu um limbo jurídico onde essas empresas crescem. Em 2024, estima-se que os brasileiros apostaram R$ 240 bilhões, segundo dados de mercado. Resultado? Mais de 1,8 milhão de pessoas estão inadimplentes.
Com a nova plataforma de crédito consignado para CLTs, o trabalhador poderá contratar empréstimos com desconto direto em folha. Em teoria, isso traz segurança.
Mas, na prática, muitos podem usar esse dinheiro para apostar, entrando numa espiral de dívidas. A facilidade de acesso ao crédito, sem educação financeira adequada, tende a transformar o benefício em um problema.
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Segundo o SPC Brasil, consumidores que usam repetidamente o crédito consignado têm apresentado índices crescentes de inadimplência.
Além disso, até 60% dos apostadores em plataformas digitais usam dinheiro de empréstimos para apostar. O Banco Central também indica que a inadimplência no consignado privado subiu 0,8 ponto percentual entre 2023 e 2024.
Bets e fraudes no crédito consignado
Outro ponto crítico é a fraude. O Brasil registrou em 2022 mais de 57 mil queixas de golpes com empréstimos consignados, segundo a EBC.
Com a digitalização e concentração das operações em uma única plataforma, o risco aumenta. Sem controles rigorosos e medidas antifraude atualizadas, o sistema pode virar alvo fácil para criminosos.
Para Inon Neves, a solução passa por três pilares: transparência, responsabilidade e tecnologia. Bancos devem adotar sistemas robustos de verificação, analisar criteriosamente a capacidade de pagamento do tomador e garantir que as operações ocorram com base em dados seguros e atualizados.
A formalização do crédito, com análise de renda e perfil, também é essencial.
O crédito consignado pode ser uma ferramenta de inclusão, desde que usado com cautela. “Sem controle, ele vira combustível para dívidas e apostas”, alerta Neves.
A proteção dos trabalhadores deve vir em primeiro lugar. Educação financeira, regulação das apostas e segurança digital são fundamentais para que o novo crédito não se transforme em mais um problema social.
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