O Brazilian Series of Poker (BSOP) alcançou um feito inédito ao ser premiado como Melhor Circuito Mid-Major no Global Poker Awards 2024, evento considerado o “Oscar do Pôquer”. A cerimônia, que ocorreu em Las Vegas, celebrou os maiores nomes do cenário do pôquer mundial.
O reconhecimento ao BSOP demonstra o crescimento do pôquer no Brasil e consolida o circuito como um dos mais relevantes do mundo. No entanto, enquanto a comunidade brasileira comemorava a conquista histórica, Daniel Negreanu, um dos maiores jogadores de todos os tempos, teceu críticas severas à premiação, questionando a representatividade do evento.
O reconhecimento histórico do BSOP
O BSOP se tornou uma referência global no pôquer e, pela primeira vez, foi laureado no Global Poker Awards. O prêmio de Melhor Circuito Mid-Major reconhece a excelência do torneio fora dos grandes circuitos high-stakes. Dessa forma, destacando o evento pelo seu impacto e profissionalismo.
Devanir Campos, cofundador e co-CEO do BSOP, esteve presente na cerimônia para receber o prêmio. Em seu discurso, ele relembrou os desafios do pôquer no Brasil e a trajetória do circuito ao longo dos anos:
“Viemos de um país onde o pôquer não é parte da cultura. Começamos há 20 anos, tivemos que trabalhar muito para torná-lo divertido, fazer as pessoas enxergarem como um jogo de habilidade.”
Campos também agradeceu à equipe do BSOP e destacou o trabalho de Igor Trafane, outro nome fundamental para o crescimento do circuito. Além de mencionar a contribuição de Rafa Moraes, co-CEO, e de sua esposa, Lara Campos, COO do BSOP.
O reconhecimento veio em um momento em que o pôquer brasileiro se encontra em plena ascensão. Com um aumento no número de jogadores conquistando espaços internacionais e competindo em alto nível nos principais eventos do mundo.
Daniel Negreanu critica o Global Poker Awards
Enquanto o BSOP celebrava sua conquista histórica, a premiação gerou um debate acalorado no mundo do pôquer. O canadense Daniel Negreanu, dono de seis braceletes da WSOP e um dos jogadores mais icônicos do poker, expressou sua insatisfação com o evento. Durante o “Mania Podcast”, que conduz ao lado de sua esposa Amanda Negreanu, ele criticou a premiação, afirmando que a cerimônia perdeu relevância nos últimos anos.
Negreanu relembrou como os eventos de premiação de pôquer já foram mais prestigiados no passado:
“Antes, as premiações de pôquer eram enormes. Eram realizadas em Los Angeles, com a presença de celebridades e toda a atmosfera de um grande espetáculo. Você via lendas como Doyle Brunson, Chip Reese, Phil Ivey, Johnny Chan e Phil Hellmuth. Todos os grandes profissionais compareciam. Era um festival incrível e cheio de estilo.”
Segundo Negreanu, a edição atual careceu da presença de grandes jogadores norte-americanos e teve um foco excessivo na comunidade europeia, a ponto de ele chamar a premiação de “Euro Poker Awards”. Além disso, o canadense destacou que Jeff Platt, um dos poucos norte-americanos premiados, foi uma exceção no evento. Sugerindo, assim, um desequilíbrio na escolha dos vencedores.
O descontentamento de Amanda Negreanu
Amanda Negreanu também demonstrou insatisfação com a premiação, especialmente com os critérios de escolha dos jurados. Ela questionou o fato de seu marido não ter vencido na categoria de melhor vlog, argumentando que o trabalho de Daniel no YouTube atrai grande audiência e deveria ter sido mais reconhecido. Para ela, o processo de seleção dos vencedores precisa de mais transparência e equilíbrio para valorizar, afinal, diferentes comunidades do pôquer global.
The Global Poker Awards… pic.twitter.com/KdzgZsMcxw
— Amanda and Daniel Negreanu (@themaniapod) February 24, 2025
As críticas de Negreanu e sua esposa refletem um sentimento crescente de que o Global Poker Awards não está representando adequadamente todos os mercados. Enquanto o evento tenta se tornar mais internacional, há uma percepção de que alguns jogadores e regiões estão sendo favorecidos em detrimento de outras.
A polarização na comunidade do pôquer
A vitória do BSOP e as críticas de Negreanu dividiram opiniões dentro da comunidade do pôquer. Muitos brasileiros e entusiastas do circuito latino-americano celebraram a conquista do BSOP como um marco para o pôquer no Brasil, que há anos luta por maior reconhecimento global. O prêmio reforça o trabalho de décadas para desenvolver um circuito de alto nível no país, atraindo jogadores internacionais e fortalecendo o cenário local.
Por outro lado, as críticas de Negreanu abriram um debate sobre a representatividade dentro do Global Poker Awards. A predominância de premiados europeus levanta questionamentos sobre o equilíbrio da premiação e se o evento realmente reflete o cenário global do pôquer de maneira justa.
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O futuro do BSOP e do Global Poker Awards
Independentemente das críticas, a vitória do BSOP no Global Poker Awards marca um avanço significativo para o pôquer brasileiro. O circuito segue crescendo e consolidando sua posição no cenário internacional, atraindo cada vez mais jogadores e fortalecendo sua reputação.
Quanto ao Global Poker Awards, o evento pode precisar rever seus critérios para evitar polêmicas futuras. Se o objetivo da premiação é reconhecer os melhores do pôquer mundial, ajustes podem ser necessários para garantir maior diversidade e representatividade entre os indicados e premiados.
O debate entre reconhecimento e justiça na premiação ainda promete se estender nos próximos anos. Enquanto isso, o BSOP segue celebrando sua vitória histórica, consolidando o Brasil como um dos polos emergentes do pôquer mundial.
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