Segundo dados do Ministério da Justiça e Segurança Pública, adolescentes de 14 a 17 anos estão tendo acesso frequente a sites de apostas, mesmo com regras do governo para proteger esse grupo altamente vulnerável.
Além disso, segundo o órgão, 55% desses jovens apresentam algum transtorno ou grau de risco relativo ao vício em jogo.
Isso vem aumentando a preocupação com o tema por parte de especialistas e autoridades no assunto.
Por exemplo, no último ano, 10,5% dos adolescentes admitiram a realização de apostas.
Esse percentual é menor que o registrado entre adultos, que foi de 18,1%. No entanto, a proximidade é preocupante.
A região Sul concentra atualmente a maior atividade. Em seguida, vêm o Centro-Oeste, Sudeste, Norte e Nordeste.
Governo tenta bloquear sites ilegais
O acesso às plataformas é um dos pontos mais sensíveis em discussão pelo governo federal.
Afinal, nas casas de apostas regulamentadas, há barreiras com o intuito de evitar a participação de menores. Por exemplo, as plataformas exigem um cadastro com CPF e biometria facial.
No entanto, os sites de apostas ilegais contornam facilmente essas medidas. Portanto, acabam permitindo que qualquer pessoa jogue livremente.
Com isso em mente, a Secretaria de Prêmios e Apostas (SPA) do Ministério da Fazenda estabeleceu uma parceria com a Anatel para bloquear sites ilegais.
Também publicou normas que orientam as instituições financeiras a recusarem serviços para empresas de apostas sem autorização.
No entanto, o governo reforça que o monitoramento deve continuar para garantir a proteção de grupos vulneráveis, especialmente crianças e adolescentes.
Sites ilegais atendem à demanda de adolescentes
Em entrevista à Agência Brasil, o presidente da Associação Nacional de Jogos e Loterias. Plínio Lemos Jorge, alertou sobre os riscos.
Segundo ele, é responsabilidade de toda a sociedade evitar que menores se envolvam com esse tipo de atividade.
Mas os pais, em especial, devem monitorar os acessos de seus filhos e impedir que utilizem suas credenciais para apostas.
Além disso, Plínio reforçou na entrevista à Agência Brasil que sites ilegais representam um risco maior, pois operam sem fiscalização e permitem que adolescentes participem sem qualquer controle.
Por isso, a regulação se torna essencial para minimizar os impactos negativos dessas práticas.
O tema do vício em apostas também vem sendo pauta no Congresso.
Recentemente, a CPI das Bets recebeu um ex-apostador que se apresentou como viciado em jogos em recuperação.
Na condição de convidado, André Rolim deu um depoimento sobre seu envolvimento com apostas para ressaltar os riscos que elas podem trazer para a saúde mental e financeira.
Os senadores estão discutindo formas de proteger mais os usuários.
Entre as propostas, está a de proibir ou restringir parcialmente propagandas dos sites de apostas.
No entanto, a publicidade voltada a crianças e adolescentes já é vetada no país. Afinal, eles estão impedidos de acessar as plataformas de apostas legais que operam no Brasil.
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