Pelo menos quatro gigantes dos cassinos de Las Vegas negociam a entrada no mercado brasileiro de apostas online, com ofertas entre R$ 2 bilhões e R$ 4 bilhões para aquisição de plataformas locais.
O movimento, segundo aponta a Veja, surge após a regulamentação do setor pela Lei 14.790/2023, que liberou operações de bets no país. Fontes do mercado confirmam que as empresas já iniciaram conversas com startups brasileiras.
O Brasil é visto como a próxima fronteira para o mercado global de apostas, com 30 milhões de usuários ativos em 2023, segundo a Fundação Getulio Vargas (FGV). Projeções indicam que o setor pode gerar R$ 12 bilhões em receita anual até 2026. “A combinação de base populacional, digitalização e interesse por esportes cria um cenário único”, afirma um analista da Consultoria EY.
Entretanto, a regulamentação ainda impõe desafios. Empresas precisam obter licenças específicas e destinar 1% da receita bruta para ações sociais e de combate a dependência química.
Além disso, cassinos físicos seguem proibidos no país, exceto em hipódromos. A Advocacia-Geral da União (AGU) mantém restrições a jogos de azar, mas especialistas acreditam que a pressão internacional pode acelerar mudanças.
Cassinos e bets no Brasil
Investidores destacam o potencial de sinergia entre apostas online e entretenimento. Empresas de Las Vegas, como Caesars Entertainment e MGM Resorts, planejam integrar plataformas digitais a eventos esportivos e culturais.
“Queremos replicar o modelo de Las Vegas, onde apostas e shows são parte de uma experiência única”, revela um executivo sob anonimato.
Críticos alertam para riscos sociais. Assim, dados do Ministério da Saúde mostram que 2,3 milhões de brasileiros já enfrentaram problemas com jogos, e ONGs pressionam por fiscalização rigorosa. Em contrapartida, defensores destacam ganhos econômicos: o setor pode criar 50 mil empregos diretos até 2025, conforme a Federação Brasileira de Apostas (Febrapes).
Enquanto isso, o Congresso discute projetos para flexibilizar cassinos terrestres, mas sem previsão de votação. Para as empresas estrangeiras, o foco imediato são as bets online.
“O Brasil é prioridade estratégica. Quem entrar primeiro terá vantagem”, conclui um relatório da Bloomberg Intelligence.