O tradicional jogo do bicho, um símbolo da cultura popular brasileira há mais de um século, enfrenta um desafio inédito: a ascensão dos sites de apostas digitais, conhecidos como “bets”. Segundo o jornal americano New York Times, a popularidade crescente dessas plataformas coloca em risco a sobrevivência da loteria ilegal, que por décadas foi uma constante no cotidiano do país.
Com sorteios ilimitados e prêmios significativamente mais altos, as bets estão atraindo cada vez mais jogadores, aponta a publicação americana. Essa combinação de vantagens desvia a atenção dos brasileiros, especialmente os mais jovens, do Jogo do Bicho, cuja base de apostadores é majoritariamente composta por pessoas com mais de 50 anos.
A reportagem do jornal americano ressalta que muitos preferem a conveniência das plataformas digitais, acessíveis 24 horas por dia, a depender da loteria ilegal. Estima-se que um quarto da população brasileira tenha apostado online nos últimos cinco anos, com gastos mensais que ultrapassam os R$ 20 bilhões.
Além disso, dados do portal Aposta Legal, aponta que os sites de bets tiveram mais de 930 milhões de visitas em outubro de 2024, superando até mesmo sites de pornografia combinados, e o Globo.com, maior portal de notícias e informações do país.
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Bets e jogo do bicho
Um relatório do Banco Central apontou que R$ 3 bilhões do Bolsa Família foram direcionados às bets. O que reforçou o impacto econômico dessa nova modalidade de jogo. Em resumo, essa movimentação acelerada gera debates sobre a regulamentação do setor e o impacto social das apostas digitais. Especialmente em comunidades de baixa renda.
Além disso, o crescimento das bets reacendeu a discussão sobre a legalidade do jogo do bicho, historicamente controlado por organizações criminosas. Criado no Rio de Janeiro no século 19, o jogo se expandiu por todo o país, mantendo sua operação mesmo na ilegalidade. Agora, com a chegada de plataformas digitais, seu futuro parece incerto.
O New York Times destaca que a ausência de regulamentação clara para as bets é um dos maiores desafios do Brasil. Embora autorizadas desde 2018, essas plataformas ainda carecem de uma legislação robusta, o que gera incertezas sobre sua operação. O Supremo Tribunal Federal (STF) planeja discutir o tema até abril deste ano, buscando estabelecer regras definitivas para o setor.
Atualmente há um conjunto de regras oficiais para o setor de bets no Brasil, regulamentado pela Secretaria de Prêmios e Apostas do Ministério da Fazenda.
Recentemente a instituição publicou no Diário Oficial da União portarias que autorizam o funcionamento de 66 sites de apostas no país. Essa medida faz parte de um esforço para estruturar o setor e reduzir riscos associados à prática de apostas, como superendividamento e lavagem de dinheiro.
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