Resumo da notícia
Binance Research aponta que 2026 será marcado por avanços regulatórios, expansão institucional e maior integração entre finanças tradicionais e blockchain.
O relatório prevê aceleração da tokenização, especialmente em ações e títulos de dívida, que dobraram de tamanho em 2025.
Stablecoins ganham protagonismo com novos marcos em Hong Kong, Singapura, Coreia do Sul e Austrália, impulsionando pagamentos e liquidações globais.
A Binance Research, braço analítico da maior empresa de serviços de blockchain do mundo, divulgou nesta quinta, 15, seu relatório anual com uma leitura detalhada das forças que devem moldar o mercado de ativos digitais em 2026.
O documento projeta um cenário de mudanças profundas, marcado por reorganizações macroeconômicas, ajustes regulatórios em grandes economias e uma nova fase de integração entre o sistema financeiro tradicional e as tecnologias blockchain
A pesquisa afirma que o desempenho robusto do mercado ao longo de 2025, apesar da volatilidade, abre espaço para um novo ciclo no qual a confluência de fatores políticos, fiscais e regulatórios influenciará diretamente a direção dos criptoativos.
No entanto, diante dos principais fatores apontados pela Binance que devem influenciar o mercado em 2026, fica claro que há um ‘mandante’ no preço do Bitcoin e ele tem ‘residência’ e nome: economia dos EUA, portanto, esqueça os tempos em que multiplos fatores atuavam impactando o preço do Bitcoin como baleias antigas, mineradores, halving, adoção, Roger Ver, Bitmain, guerra entre devs… Agora só importa que ‘pito toca o Tio Sam’.
Tio Sam ‘manda’ nos rumos do preço do Bitcoin
Diante disso, a Binance destaca que um dos temas centrais para o próximo ano está diretamente relacionado ao macroambiente americano. Assim, os mercados devem reagir de forma significativa ao que chama de “fiscal-administrative pivot”, uma guinada na política fiscal e administrativa dos EUA, impulsionada pelo ciclo eleitoral. Essa transição tende a redefinir prioridades econômicas, afetando liquidez, apetite por risco e diretrizes de investimento. Os analistas explicam que momentos de inflexão política historicamente afetam a precificação de ativos de maneira ampla, e as criptomoedas não ficam de fora dessa dinâmica.
O relatório destaca ainda a influência da política monetária. De acordo com a análise, os mercados já precificam um caminho mais brando para as taxas de juros ao longo dos próximos dois anos. O relatório aponta que o Federal Reserve pode enfrentar pressões políticas para manter condições mais favoráveis aos mercados financeiros conforme se aproxima o período eleitoral.
Essas pressões podem gerar expectativas de flexibilização, estimulando maior tomada de risco por parte dos investidores. O levantamento observa que, em ciclos anteriores nos Estados Unidos, decisões estratégicas dessa natureza reforçaram a valorização de ativos como o Bitcoin, especialmente em ambientes com liquidez crescente e inflação moderada.
A relação entre inflação e comportamento do mercado cripto também recebe atenção. O documento cita que, em 2025, houve um período em que a liquidez aumentou simultaneamente ao recuo das expectativas inflacionárias, o que resultou em um desempenho mais fraco do setor no quarto trimestre. Os analistas apontam que esse comportamento reforça como a narrativa de “proteção inflacionária” do Bitcoin permanece sensível a mudanças de percepção macroeconômica. Para 2026, a expectativa é observar como inflação e crescimento se alinham para definir a direção do mercado.
Outro fator decisivo é o comportamento do dólar. A Binance Research afirma que a maioria das instituições financeiras projeta uma fraqueza do dólar em 2026. Historicamente, o mercado cripto se beneficiou desse tipo de movimento.
Em períodos em que o índice DXY apresenta queda, ativos como Bitcoin e Ethereum tendem a performar melhor, já que a moeda norte-americana mais fraca estimula alocação em alternativas descorrelacionadas. O relatório observa, porém, que essa relação sofreu alterações recentes, atribuídas ao avanço regulatório significativo ocorrido entre 2024 e 2025. Esse avanço fortaleceu o status dos criptoativos, tornando-os menos dependentes do ciclo do dólar e mais alinhados a fluxos institucionais estruturados.
A análise também discute a perspectiva de uma retomada da atividade de fusões e aquisições (M&A) e maior mobilização nos mercados tradicionais. A expectativa é que a administração norte-americana busque flexibilizar regras e reduzir restrições de capital, criando um ambiente mais favorável à expansão corporativa. Caso isso ocorra, o relatório sugere que o otimismo dos mercados de ações e de crédito pode transbordar para o ecossistema cripto, reforçando liquidez e recuperação de preços.
Leis americanas ditam tendências no mercado
Do ponto de vista regulatório, os analistas identificam uma transformação mais profunda. Eles destacam que os marcos legais em evolução nos EUA, como o GENIUS Act, direcionado ao enquadramento regulatório das stablecoins, e os possíveis avanços em projetos como o RFIA e o CLARITY Act, podem redefinir o papel das criptomoedas no sistema financeiro.
A Binance Research afirma que 2026 pode marcar a transição de um ambiente de antagonismo regulatório para outro em que regras claras e padronizadas funcionam como “moat”, ou seja, como uma vantagem competitiva para projetos que cumprirem as exigências. Regulamentação robusta, na visão dos analistas, não representa uma ameaça, mas sim um facilitador para atração de capital institucional, principalmente em setores emergentes como tokenização de ativos do mundo real.
O relatório dedica destaque especial aos Real-World Assets (RWA). Segundo os dados apresentados, os mercados de ações tokenizadas cresceram de US$ 270 milhões para US$ 780 milhões em 2025, enquanto o mercado de bonds on-chain saltou de US$ 4,2 bilhões para US$ 9,8 bilhões no mesmo período.
Stablecoins
O crescimento acelerado demonstra, segundo a Binance Research, que a tokenização deixou de ser apenas um experimento e se tornou uma das frentes mais promissoras do uso de blockchain. Com regulações mais claras e integrações mais profundas com instituições financeiras tradicionais, o setor pode expandir-se ainda mais em 2026, aproximando mercados regulados e infraestrutura descentralizada.
Outro vetor relevante do relatório é a estabilidade institucional mostrada pelo ecossistema global de stablecoins. O documento observa que regiões como Hong Kong, Singapura, Coreia do Sul e Austrália avançaram em marcos regulatórios estruturados, criando ambientes propícios para emissões seguras e integração das stablecoins ao sistema financeiro tradicional. Esse avanço serve como base para o crescimento do uso de stablecoins como infraestrutura de pagamentos e liquidação financeira, um dos grandes pilares de transformação destacados para 2026.
A Binance Research reforça que a consolidação regulatória observada em mercados asiáticos tende a acelerar a adoção institucional de stablecoins. Em Hong Kong, por exemplo, a obrigatoriedade de licenciamento para emissores cria um ambiente com maior proteção ao consumidor e requisitos claros de governança. Já Singapura reforça um modelo que privilegia empresas com presença operacional local, reduzindo riscos associados a serviços prestados exclusivamente no exterior. Esses movimentos deixam claro que a infraestrutura de pagamentos blockchain avança rumo a um padrão global de conformidade.

