O WhatsApp, aplicativo de mensagens pertencente à gigante de mídia social Meta, acusou a Rússia de tentar bloquear o acesso de milhões de seus usuários no país para direcioná-los à alternativa estatal.
“Tentar isolar mais de 100 milhões de usuários de uma comunicação privada e segura é um retrocesso e só pode resultar em menos segurança para as pessoas na Rússia. Continuamos fazendo tudo o que podemos para manter os usuários conectados”, afirmou a empresa em uma publicação no X na quarta-feira.
A plataforma Max, apoiada pelo Estado russo, foi lançada em março de 2025 pela empresa de tecnologia russa VK como uma alternativa doméstica a serviços estrangeiros como WhatsApp e Telegram.
Desde então, o governo vem promovendo fortemente a plataforma, tornando obrigatório que todos os smartphones vendidos no país a partir de 1º de setembro tenham o Max pré-instalado.
A empresa de SEO Backlinko estima que a Rússia possui a quarta maior base de usuários ativos mensais do WhatsApp, com 72 milhões de usuários, atrás de Indonésia, Brasil e Índia.

Mídia russa afirma que WhatsApp está inacessível
O Gazeta.ru, site russo de notícias on-line com sede em Moscou, informou na quarta-feira que o domínio do WhatsApp havia sido completamente bloqueado, tornando-se inacessível sem o uso de VPN ou solução semelhante para contornar a restrição.
O veículo também informou, citando a agência estatal de notícias TASS, que o secretário de imprensa do presidente, Dmitry Peskov, disse que o desbloqueio do WhatsApp na Rússia exigiria que o serviço de mensagens cumprisse as leis russas e demonstrasse disposição para negociar.
O Cointelegraph entrou em contato com o WhatsApp e com o regulador de telecomunicações da Rússia, Roskomnadzor, para comentar o caso.
No ano passado, Moscou começou a limitar algumas chamadas no WhatsApp e no Telegram, acusando as plataformas de não compartilharem informações com as autoridades e de não armazenarem os dados de usuários russos no país.
Em janeiro, Andrey Svintsov, deputado da Duma Estatal, a câmara baixa do Parlamento russo, disse à TASS que o regulador de telecomunicações do país adotaria medidas para bloquear completamente o WhatsApp até o fim de 2026.
Outros países também restringem serviços de mensagens
Outros países também teriam utilizado restrições de comunicação em períodos de conflito.
Em dezembro, o político ugandense e líder da oposição Bobi Wine incentivou seus apoiadores a baixar o serviço descentralizado de mensagens ponto a ponto Bitchat, de Jack Dorsey, e acusou o governo de planejar cortar as comunicações no período que antecedia a eleição.
Enquanto isso, em setembro, a nação insular africana de Madagascar registrou um aumento nos downloads do Bitchat em meio a protestos e interrupções nas comunicações, após alta semelhante durante distúrbios no Nepal e na Indonésia no início do mesmo mês.

