O Vice-Presidente de Soluções e Inovação da Visa do Brasil, Percival Jatobá, revelou, durante entrevista ao Cointelegraph Brasil que a demanda dos clientes da Visa por pagamentos com criptoativos que motivou a empresa a aceitar criptomoedas.
Segundo Jatobá a incorporação da stablecoins USDC pela Visa pode ser apenas a porta de entrada para outros criptoativos tendo em vista o crescente interesse dos usuários da Visa nas criptomoedas.
“A Visa é uma empresa que atende a demanda de seus clientes e a incorporação de criptomoedas, como o USDC, ocorreu para atender esta demanda. Nossos clientes demonstraram para a Visa que eles queriam pagar com criptomoedas, então, buscamos parceiros para viabilizar esta demanda”, disse.
Atualmente para operacionalizar pagamentos com criptoativos a Visa possui uma parceria com a Anchorage e com a exchange Crypto.com, ambos ficam responsáveis pela liquidação da parte cripto do pagador enquanto a Visa atua na parte do recebedor viabilizando na outra ponta o recebimento em fiat.
Desta forma a Visa em si não custodia ou faz qualquer liquidação em criptomoedas, tudo é feito pelos parceiros via conexões de API.
Jatobá revelou ao Cointelegraph que não está descartado eventuais parcerias com empresas de criptomoedas no Brasil para atuar como liquidantes.
“Hoje nossa parceria é com a Crypto.com e com a Anchorage. Como isso vai se comportar no futuro ainda é incerto pois, como disse, dependerá da demanda por esta nova forma de pagamento. Contudo, calor, se houver necessidade de construir parcerias locais no futuro, isso pode ser possível”, disse.
O Futuro do Dinheiro
Sobre o Futuro do Dinheiro e como serão os pagamentos na era da digitalização da economia, Jatobá que concedeu a entrevista cercado por um fundo com capas de vinil foi enfático: Híbrido e multimeios.
Para o VP da Visa uma tecnologia não necessariamente é um ‘killer’ da outra, pelo contrário, elas se sobrepõem e componham um ecossistema global com relação àquele meio.
No caso dos pagamentos Jatobá declarou que o futuro tende a migrar para os pagamentos digitais, contudo isso não significa necessariamente o fim do dinheiro físico ou a morte do cartão ou de outras formas de pagamento.
“Minha filha usa até hoje um relógio que a Visa lançou no passado para fazer pagamentos. Desde este lançamento para cá, muita coisa mudou e muitas outras formas de pagamento surgiram, contudo cada pessoa vai se adaptando a sua maneira preferencial de fazer pagamentos. Tem pessoas que preferem fazer pagamentos por aplicativos e nessa linha as bigtechs estão provendo transferências financeiras como o Facebook com o Facebook Pay. É dificil dizer qual forma vai se sobressair e dominar as outras. O que temos visto é as diferentes formas de pagamento conviverem em conjunto cabendo ao usuário escolher aquela com a qual se adapta e se relaciona melhor”, disse.
Soluções para um mundo em transformação
Jatobá também destacou que a Visa não está olhando apenas para as possibilidades que os criptotivos trouxeram na relação de pagamentos entre pessoas, mas em como sua tecnologia pode auxiliar empresas e negócios globalmente.
Para isso a empresa criou o Visa B2B Connect, baseado na tecnologia blockchain, que deu vida ao Bitcoin, e que é voltado para o mercado B2B e remessas internacionais.
O Visa B2B Connect foi construído em parceria com a IBM e usa a estrutura do Hyperledger Fabric, facilitando transações financeiras em uma rede com capacidade de escala globalmente, enviando e liquidando as ordens em uma mesma transação.
“Nossos estudos mostraram que as empresas demandavam um sistema de liquidação de remessas internacionais mais robusto, rápido e seguro. O Visa B2B Connect nasceu para atender esta demanda”, revelou.
Visa e DBDC
Sempre muito sorridente e seguro quanto ao que o futuro promete em termos de pagamentos, Jatobá também falou sobre as Moedas Digitais de Bancos Centrais (CBDC) e disse que a Visa está disposta a colaborar com reguladores em todo o mundo no tema.
Segundo ele, na medida em que as nações forem emitindo e incorporando CBDCs em suas economias é natural que os grandes players globais como a Visa ofereçam suporte a esta nova forma de moeda nacional.
Além disso, destacou que a empresa também colabora com governos na construção e apoio para o desenvolvimento de CBDCs, e que isso, como disse anteriormente, não significa um risco ao negócio da Visa.
“Trabalhamos e acompanhamos governos que buscam informações ou desenvolvem CBDCs. Acredito que esta é uma tendência sem volta. Nós da Visa vamos apoiar e oferecer suporte em todo o mundo para os governos que busquem incorporar suas moedas digitais em nossa rede”, afirmou.
Bitcoin na Visa
Ao Cointelegraph, Jatobá não cravou que a Visa passará a oferecer suporte direto para pagamentos em Bitcoin como fez com a USDC, contudo também não descartou esta possibilidade.
“Quem manda na Visa é o consumidor. Se houver demanda da parte do consumidor, claro que iremos implementar”, disse.
Diplomático, com uma voz apaixonada pelo que faz e com um conhecimento profundo sobre criptomoedas, o VP da Visa deixou claro que os criptoativos chegaram ao mainstream e que este mercado não é mais composto por um nicho de nerds e cypherpunks.
Os adesivos e as preferências musicais explícitas que moldavam o pano de fundo da nossa conversa ‘entregaram’ que Jatobá, embora possa não ser um early adopter, também não é uma pessoa que ‘entrou’ no Bitcoin agora.
Questionado sobre isso, e sobre se tinha Bitcoins, o VP da Visa deu o mesmo sorriso que acredito que Hal Finney deu ao jornalista da Forbes Andy Greenberg quando este perguntou se ele tinha criado o Bitcoin ou se sabia quem era Satoshi Nakamoto.
“Não posso comentar isso, nem sobre aquela coisa do Roger Ver”. finalizou.
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