Após criticar o Bitcoin e as criptomoedas por muito tempo, o Itaú vem se rendendo aos avanços dos criptoativos e após anunciar diversas ações envolvendo o mercado cripto o banco declarou que espera um ciclo virtuoso para o BTC neste ano.
As declarações foram feitas por Guto Antunes, head de Digital Assets do Itaú, em entrevista à Exame. Segundo ele, as perspectivas para o mercado de criptomoedas em 2024 são bastante otimistas, principalmente para o Bitcoin com a possibilidade de aprovação de um ETF spot de BTC e com o halving, que deve ocorrer em abril.
“Então nessa ótica, você tendo ETFs aprovados, um ciclo virtuoso no mercado com o halving, menos remuneração para os mineradores, o que de certa forma gera uma pressão de venda menor no Bitoin, você tem um movimento de compra maior a partir daí. O cenário leva a isso", disse.
No entanto, o executivo destaca que a aprovação do ETF spot de Bitcoin está um pouco precificada e, com o anúncio oficial da SEC, pode haver uma realização de lucros e o BTC cair ao invés de subir.
“Hoje a gente acredita que está um pouco precificado essa primeira aprovação de ETF, então quando nós analisamos, daqui para a frente é só subir? Não, você pode ter uma realização de lucros como qualquer mercado em cima da notícia que já foi precificada e quando ela acontece o mercado ao invés de subir cai", afirmou.
Drex e lei cripto no Brasil
Durante a entrevista para a Exame, o executivo destacou ainda o Banco Central do Brasil (BC) pode enfrentar muitos desafios para lançar o Drex no próximo ano, já que o regulador vem sofrendo uma pressão dos funcionários por melhorias salariais, entre outras pautas.
Além disso, ele destaca que os testes do Drex vem revelando um desafio estrutural para o BC com relação à privacidade da CBDC brasileira e isso também pode atrasar os planos do regulador de lançar a moeda digital em 2024.
"Então a gente tem esse desafio para 2024, de achar a solução de privacidade que seja mais eficiente para a Hyperledger Besu, blockchain que usamos hoje nos testes, para que a partir de maio a gente consiga de forma propositiva, fazer com que os participantes do piloto tragam casos de uso reais”, disse.
Sobre o Drex o executivo também destacou que neste ano os testes deve evoluir para casos de uso com impacto no dia a dia das pessoas, em situações comuns, fora do setor de investimento, como compra e venda de veículos em ambiente tokenizado, entre outros.
“Vamos começar a ver casos criados pelos participantes para que a gente entenda qual o impacto do Drex no nosso dia a dia. Que seja uma venda de carro ou até no mundo da tokenização, para que a gente entenda no final de 2024 ou no início de 2025 qual vai ser o cronograma do BC para adoção da população de uma forma geral”, concluiu o executivo.
Já sobre a lei das criptomoedas, que deve ser implementada pelo BC este ano, Antunes destacou que ela pode aumentar a adoção dos criptoativos no Brasil e é uma oportunidade para bancos e outras instituições avançarem neste mercado.
“Isso logicamente vai chamar a atenção de outros players internacionais, a gente vê isso nas conversas que temos tanto com outros bancos quanto com exchanges que estão olhando para o Brasil de uma forma muito carinhosa.... A regulação ajuda demais também. A gente discute que o Brasil talvez seja a regulação mais avançada em nível mundial e também com os bancos entrando, não só o Itaú mas outros grandes bancos, eles olham a criptoeconomia de uma forma especial", finalizou.