Fundos de capital de risco (VCs, na sigla em inglês) têm se mostrado menos resistentes a investir em startups de criptomoedas, afirma Guto Farias, CEO da aceleradora Web3Valley. A experiência de fazer o ‘velho capital’ olhar para as tecnologias da economia digital tem sido “uma experiência interessante”, contrariando as expectativas da aceleradora.
“Mesmo entre aqueles que ainda não desenvolveram uma tese específica para Web3, percebemos uma disposição para compreender, aprender e se aprofundar mais nesse novo setor. Muitos desses VCs e Corporate Venture Capitalists (CVCs) participam ativamente com mentores ou avaliadores dos programas desenvolvidos pela Web3Valley”, conta Farias.
A aceleradora projeta que sete startups do mercado cripto receberão até R$ 5 milhões em investimentos no primeiro semestre deste ano. Duas delas, Gem Hunts e PurpleCats, receberão R$ 2 milhões cada.
Gem Hunts é uma plataforma para criar comunidades monetizáveis através de uma tecnologia proprietária chamada Web3Ads, enquanto a PurpleCats é uma fintech que cria soluções para facilitar a entrada no mercado de criptomoedas. Infraestrutura em blockchain, tokenização e finanças descentralizadas (DeFi) são outros setores de interesse dos VCs, aponta Farias.
Futuro promissor
Os investimentos de VCs direcionados a startups cripto sofreram queda de quase 70% entre 2022 e 2023. Apesar da queda significativa, os US$ 6,2 bilhões injetados nos projetos da indústria blockchain, no ano passado, supera os montantes vistos em 2020 e nos anos anteriores.
Em 2024, contudo, há a possibilidade de uma participação maior de players tradicionais nas rodadas de captação realizadas por startups cripto. Conforme destacado pela Binance Labs, em entrevista ao Cointelegraph Brasil, os ETFs de Bitcoin à vista marcam um grande reconhecimento e aceitação dos criptoativos, e isso pode trazer capital tradicional para o mercado cripto.
O CEO da Web3Valley também acredita que o mercado de criptomoedas está caminhando para um caminho de maturidade como um todo, destaca. Por isso, ele acredita que é provável que mais empreendimentos alinhem suas estratégias com a Web3, trazendo uma onda de investimentos para esse nicho.
“É uma espécie de movimento natural que sinaliza para um futuro animador, onde a Web3 está cada vez mais sendo reconhecida e abraçada por empresas e investidores”, conclui Farias.