Resumo da notícia
Stablecoins movimentaram cerca de US$ 33 trilhões em liquidação onchain em 2025.
USDC lidera transações anuais, superando o USDT pela primeira vez na história.
Regulação global e novas carteiras digitais aceleram uso institucional e PayFi.
Um estudo divulgado nesta quinta, 29, pela Bitget Wallet, destacou que as stablecoins processaram cerca de US$ 33 trilhões em liquidação onchain ao longo do ano, enquanto a oferta total cresceu mais de 50%, alcançando aproximadamente US$ 308 bilhões.
O relatório também aponta que pela primeira vez na história o USDC passou a liderar o volume anual de transações. Desse modo, enquanto o USDC processou aproximadamente US$ 18,3 trilhões em transferências onchain em 2025, em comparação com US$ 13,3 trilhões do USDT.
“Essa diferença reflete uma maior velocidade de capital dentro dos protocolos DeFi e uma crescente preferência institucional pelo USDC após a implementação do GENIUS Act.”
Regulamentação
O ponto central aqui não é competição direta, mas mudança de vetor de demanda. O crescimento do USDC em volume de transações parece cada vez mais ligado a casos de uso programáticos — pagamentos automatizados, integrações com IA agents, tesourarias algorítmicas e infraestrutura B2B. À medida que esses fluxos ganham escala, o volume tende a migrar para ativos que oferecem previsibilidade regulatória, transparência e integração com sistemas tradicionais. O movimento parece menos especulativo e mais estrutural”, disse Guilherme BissoliGuilherme Bissoli, Country Manager da CoinsXYZ
De acordo com a Bitget Wallet, esse avanço ocorreu em paralelo a um movimento coordenado de regulação nos Estados Unidos, na Europa e em Hong Kong, que deu maior clareza jurídica ao setor e abriu caminho para a entrada mais forte de bancos, fintechs e grandes empresas.
Na Ásia, Hong Kong implementou o Stablecoin Issuer Regulatory Regime, trazendo a emissão de stablecoins para a supervisão direta da Autoridade Monetária local. O modelo atraiu tanto instituições financeiras tradicionais quanto grandes empresas de tecnologia, sinalizando um novo nível de confiança institucional no uso de moedas digitais lastreadas em ativos reais.
Na Europa, a entrada em vigor plena do MiCA remodelou o mercado ao criar um padrão unificado para stablecoins em toda a União Europeia. Países como a Alemanha lançaram iniciativas locais sob esse marco, enquanto o Reino Unido avançou com projetos piloto para stablecoins atreladas à libra esterlina.
O relatório da Bitget Wallet também aponta para uma mudança estratégica entre os principais emissores. A Tether, responsável pelo USDT, anunciou o lançamento do USAT, uma stablecoin em dólar voltada especificamente para conformidade com reguladores norte-americanos, em um movimento que sinaliza um reposicionamento em direção a modelos mais alinhados às exigências legais dos EUA.
Papel das carteiras
Além da regulação, a evolução tecnológica aparece como fator decisivo. As carteiras digitais, segundo o estudo, passaram a assumir o papel de camada de distribuição e orquestração do sistema financeiro em blockchain, funcionando como interfaces unificadas de pagamento, roteadores de moedas e mecanismos programáveis de execução financeira.
O crescimento das stablecoins também impulsionou modelos de PayFi, nos quais recursos mantidos durante processos de pagamento e liquidação geram rendimento automático em protocolos descentralizados, aumentando a eficiência de capital sem comprometer a liquidez.
Outro ponto destacado pela Bitget Wallet é a expansão das stablecoins locais. Na Europa e na Ásia, moedas digitais atreladas a moedas nacionais começam a assumir o papel de trilhos de pagamento domésticos, integrados a sistemas como PIX, no Brasil, e SPEI, no México.
Para 2026, o relatório projeta que as carteiras digitais se tornarão a principal interface financeira, que as stablecoins funcionarão como trilhos invisíveis de liquidação global e que agentes de inteligência artificial passarão a transacionar com mais frequência do que humanos, enquanto a privacidade se tornará um requisito central para operações institucionais.

