A democrata dos Estados Unidos Shamaine Daniels empregou um assistente de campanha de inteligência artificial (IA) em sua candidatura ao Congresso nas eleições de 2024.

De acordo com uma reportagem da Reuters, Daniels está usando "Ashley", que ela diz ser a primeira telefonista política alimentada por tecnologia de IA generativa do desenvolvedor Civox. Embora robocallers existam há algum tempo, nenhuma das respostas de Ashley é pré-gravada.

A reportagem diz que ela foi construída com tecnologia "semelhante" à do ChatGPT da OpenAI, o que permite que Ashley tenha um número infinito de conversas em tempo real e personalizadas, um a um, com os eleitores.

Já o bot de chamadas de IA alcançou milhares de eleitores na Pensilvânia como um dos voluntários de campanha de Daniels.

O CEO da Civox, Ilya Mouzykantskii, previu que o uso de telefonistas de IA vai "escalar rapidamente" e disse que pretendem fazer dezenas de milhares de chamadas por dia até o final do ano.

“Isso está chegando para a eleição de 2024, e está chegando de uma maneira muito grande... O futuro é agora.”

Ashley foi programada com uma voz robótica e revela que é um bot de IA ao falar com os eleitores, embora não haja requisitos legais nos EUA que ela deva fazer isso.

A Civox não divulgou quais modelos exatos de IA generativa está usando, embora tenha dito que está usando mais de 20 diferentes, tanto de código aberto quanto proprietários. O bot foi treinado usando dados disponíveis na internet.

Às vésperas das eleições de 2024 nos EUA, o uso de IA tornou-se um tópico controverso. Em outubro, senadores dos EUA propuseram um projeto de lei que puniria criadores de deep fakes gerados por IA não autorizados.

Antes disso, empresas que desenvolvem ferramentas de IA também implementaram salvaguardas para impedir a propagação de informações falsas ou enganosas. O Google tornou obrigatória a divulgação do uso de IA em anúncios de campanhas políticas.

Enquanto isso, a Meta, empresa controladora do Instagram e Facebook, proibiu o uso de ferramentas de criação de anúncios de IA generativa para anunciantes políticos no início de novembro.

Um estudo recente do Microsoft Threat Analysis Center, uma unidade de pesquisa da Microsoft, revelou que o uso de IA nas redes sociais tem um grande potencial para impactar o sentimento dos eleitores.

Outro estudo na Europa testou o chatbot de IA Bing da Microsoft, agora renomeado para Copilot, e descobriu que ele produzia respostas incorretas sobre informações eleitorais 30% do tempo.

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