Apesar de ter conseguido preparar-se a pandemia de coronavírus com algum sucesso em comparação com outros países europeus, Portugal não está livre dos efeitos econômicos do lockdown imposto para evitar a contaminação do vírus. Segundo o jornal português Expresso, três em cada 10 fintechs portuguesas já perderam metade da receita devido à crise.

A associação Portugal Fintech divulgou na última sexta-feita (24) um balanço mostrando que 29% das empresas fintech do país perderam receita em pelo o menos 50%, com 71% das startups relacionando o impacto à pandemia.

"As principais dificuldades que as fintechs enfrentam neste momento passam pelo processo de decisão do cliente e alocação de projetos a vendedores, pela falta de disponibilidade tecnológica dos clientes, falta de visibilidade das suas soluções junto dos incumbentes e a inexistência de um canal de cooperação com outros atores no mercado."

O relatório da associação ainda fala da exposição do setor disruptivo a cortes de investimento. João Freire de Andrade, preditente da associação, diz:

“Com esta incerteza em que vivemos, apostamos que a inovação será uma das primeiras áreas que as empresas vão cortar ou adiar. Criar incentivos para estas empresas continuarem a inovar, mas com menos risco financeiro do seu lado através de apoios do Estado na aquisição de serviços e produtos de startups, pode ser um ponto de venda excelente para uma startup B2B [business to business ou negócio a negócio] desbloquear uma venda importante a um grande cliente. A liquidez é importante para sobreviver, mas estimular o mercado é essencial para sairmos desta crise mais fortes.”

O documento ainda revela que apenas três das 30 empresas estudadas recorreram ao mecanismo de lay-off, lançado pelo governo de Portugal para permitir que as empresas suspendam ou reduzam temporariamente o horário de trabalho, com objetivo de manter os empregos. 

A maioria das fintechs também considera relevantes as medidas do governo para mitigar os impactos do coronavírus, com financiamento de salários, isenção de pagamentos à Segurança Social, entre outras medidas.

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