O Bitcoin (BTC) inicia uma nova semana encarando um ambiente macroeconômico selvagem depois de selar seu menor fechamento semanal em quase dois anos.

À medida que os ativos de risco sofrem em todos os mercados globais e o dólar se valoriza, a maior criptomoeda cambaleia.

Setembro começou favorável aos touros, mas agora está fazendo jus ao seu apelido informal no mercado de criptomoedas, “Septembear” – que mescla setembro com ursos em inglês –, e o par BTC/USD está atualmente em queda de 6,2% desde o início do mês.

As más notícias continuam chegando para os hodlers, que estão se agarrando cada vez mais a moedas adormecidas, à medida que o dólar corre solto e o apetite institucional para diversificar em ativos mais arriscados continua a evaporar.

Com a macroeconomia permanecendo como foco principal para os mercados esta semana, o Cointelegraph analisa o que pode estar reservado para a ação do preço do BTC.

Diante de condições econômicas que rivalizam com qualquer grande período de turbulência histórica visto no século passado ou além, aqui estão alguns fatores a serem levados em consideração ao avaliar para onde o Bitcoin pode ir a seguir.

Fechamento semanal manda BTC/USD de volta a novembro de 2020

Embora não corresponda às perdas da semana anterior (3,1% contra 11%), os últimos sete dias conseguiram desencadear o pior fechamento semanal do Bitcoin desde novembro de 2020, mostram dados do Cointelegraph Markets Pro e da TradingView.

À medida que a desvalorização não, o Bitcoin voltou ao passado para antes do rompimento que o levou além da alta histórica de seu ciclo de halving anterior.

Gráfico semanal BTC/USD (Bitstamp). Fonte: TradingView

A sensação de déjà vu não é bem-vinda para o hodler médio - a grande maioria das compras e moedas armazenadas em carteiras frias nos últimos dois anos está no prejuízo agora.

“O $BTC acabou de fazer o menor fechamento semanal nesta zona”, resumiu o popular analista do Twitter SB Investments após o fechamento:

“Pessimismo prevalece com as ações procurando quebrar o suporte também. Mas, por outro lado, isso é o que todos esperam.”

Se os mercados conseguirem desencadear um movimento surpresa de “dor máxima” para o lado positivo, liquidando posições vendidas, poderá se configurar um movimento importante para os Bitcoiners. Para o popular trader Omz, o preço de fechamento semanal de US$ 18.800 representa um fundo local convincente.

A divergência do RSI não passou despercebida por outros analistas. O trader JACKIS sinalizou a configuração de um padrão historicamente importante na semana passada.

“Nós só recebemos dois toques no território de sobrevenda [do RSI] no passado e eles sempre marcaram o fundo exato do ciclo”, ele escreveu na época.

A conta de trading IncomeSharks também sustentou que uma reversão poderia ser desencadeada em paralelo às eleições de meio de mandato dos EUA, que acontecem no início de novembro, mas não chegou a dizer se o fundo já foi alcançado.

“Elevador para baixo, escadas para cima”, comentou no gráfico de 4 horas do dia:

“[O BTC] continue construindo fundos duplos e novos suportes, o rali das eleições de novembro continua na mesa. Quebre essa estrutura, remova esses alvos e encontre um novo fundo.”
Gráfico de 4 horas BTC/USD (Bitstamp). Fonte: TradingView

Força do dólar derruba ações e outras moedas fiduciárias

A segunda-feira mal começou e a turbulência que caracterizou a semana passada já estava presente com uma vingança nos macromercados.

Um dólar imparável está destruindo as principais moedas dos parceiros comerciais dos EUA, com a libra esterlina britânica ganhando as manchetes ao cair 5% para chegar próxima à paridade com o dólar - seus níveis mais baixos até hoje em relação à moeda norte-americana.

O par GBP/USD segue o euro, que já está valendo menos de US$ 1,00, enquanto a desvalorização forçou as autoridades japonesas a sustentar artificialmente a taxa de câmbio do iene na semana passada.

Gráfico diário GBP/USD. Fonte: TradingView

O par EUR/USD caiu brevemente abaixo de US$ 0,96 antes de empreender uma modesta recuperação, enquanto o par USD/JPY permanece próximo de seu nível mais alto desde a década de 1990, apesar da intervenção do Japão.

Ao mesmo tempo, as trombetas do apocalipse soam para os títulos globais, que caíram para níveis de 2020, alertou o comentarista de mercados Holger Zschaepitz, apresentando dados da Bloomberg:

“Parece que a bolha do mercado de títulos estourou. O valor dos títulos globais caiu mais US$ 1,2 trilhão esta semana, acumulando perdas de US$ 12,2 trilhões em relação à sua máxima histórica.”

As ações não têm perspectivas melhore, com os contratos futuros em baixa em antecipação à abertura de Wall Street. O petróleo bruto Brent caiu abaixo de US$ 85 por barril pela primeira vez desde o início de 2022.

“Os títulos globais estão entrando em colapso, uma vez que as moedas fiduciárias estão em colapso em relação ao dólar, diluindo rapidamente o poder de compra da população”, afirmou Saifedean Ammous, autor dos livros populares “O Padrão Bitcoin” e “The Fiat Standard”:

“Passarão meses e anos antes que o cidadão médio perceba o quanto está sendo arruinado financeiramente por causa das suas moedas fiduciárias. O ‘novo normal’ é a pobreza”.

Com as criptomoedas ainda altamente correlacionadas com as ações e inversamente correlacionadas com a força do dólar, as perspectivas para o Bitcoin são, portanto, nada positivas, pois tudo deve permancer como está.

O Índice de Preços ao Consumidor da Área do Euro (IPC) será divulgado esta semana, e deverá mostrar a inflação ainda em alta na União Europeia, enquanto o Índice de Preços de Despesas de Consumo Pessoal (PCE) dos EUA deve manter a tendência de baixa que teve início em julho.

O índice do dólar (DXY) não mostra sinais de reversão, mesmo estandoa em seu nível mais alto desde maio de 2002.

Gráfico mensal Índice do Dólar (DXY). Fonte: TradingView

Hodlers no modo clássico de mercados de baixa

Em meio a tanto caos, não é surpresa que a convicção dos hodlers do Bitcoin esteja aumentando e os investidores de longo prazo se recusem a se desfazer de suas moedas.

A teimosia é uma marca registrada dos mercados de baixa do Bitcoin, e os dados mais recentes mostram que essa mentalidade está firmemente de volta este ano.

De acordo com a empresa de análise de dados on-chain Glassnode, a chamada métrica Coin Days Destroyed (CDD) do Bitcoin está estabelecendo novas mínimas.

O CDD refere-se a quantos dias inativos são elimindos quando o BTC deixa a carteira em que está armazenado após um determinado período. Quando o CDD está alto, mais moedas armazenadas a longo prazo estão em movimento.

“O volume total do CDD do Bitcoin nos últimos 90 dias atingiu, efetivamente, um nível mais baixo”, comentou a Glassnode:

“Isso indica que as moedas que foram HODLed por vários meses a anos estão mais inativas do que jamais estiveram.”
Gráfico de 90 dias do Bitcoin Coin Days Destroyed (CDD). Fonte: Glassnode/ Twitter

A notícia surge após semanas de várias métricas focadas em hodlers mostrando um compromisso dos detentores de longo prazo de manterem o seu suprimento de BTC guardado para dias melhores.

A Glassnode, por sua vez, também observou a crescente prevalência de moedas mantidas por pelo menos três meses como proporção do valor em dólares do fornecimento de BTC.

“Os HODLers do Bitcoin parecem ser firmes e inabaláveis em sua convicção”, afirmou.

Um gráfico mostrou os níveis da métrica HODL Waves do Bitcoin - que representa o suprimento dividido em função da dormência da moeda.

Bitcoin HODL Waves. Fonte: Glassnode/ Twitter

Baleias ainda ditam suportes e resistências

Enquanto os veteranos se afastam do botão “vender”, os investidores de grandes volumes de Bitcoin estão no radar dos analistas quando se trata de detectar potenciais movimentos de preços.

A faixa de negociação atual representa uma zona importante devido à extensão da atividade comercial envolvendo dinheiro de baleias nesta zona no passado.

Grandes compras dão peso adicional a um suporte de preço específico, enquanto o mesmo vale para os níveis de resistência. De acordo com a plataforma de monitoramento de dados on-chain Whalemap, o par BTC/USD está atualmente preso entre os dois.

“Manter 19k-18k é a chave para o $ BTC”, resumiu a equipe do Whalemap no final da semana passada.

Um gráfico mostrou os níveis de resistência das baleias limitando ralis de alívio do Bitcoin à zona de US$ 20.000.

Gráfico anotado da resistência das baleias do Bitcoin. Fonte: Whalemap/ Twitter

No entanto, números apresentados pela empresa de pesquisa Santiment confirmam que a exposição geral das baleias ao BTC caiu para mínimas de dois anos.

Gráfico anotado de participação das baleias sobre o suprimento do Bitcoin. Fonte: Santiment/ Twitter

Segunda semana de "medo extremo"

Em um retorno às normas familiares de 2022, o sentimento do mercado de criptomoedas está no modo de “medo extremo” há mais de uma semana.

De acordo com o Ínidice de Medo e Ganância, que mede o sentimento agregado do mercado de criptomoedas, o investidor médio não poderia estar muito mais desconfortável com as perspectivas.

A partir de 26 de setembro, o índice registrou uma pontuação de 21/100, sendo 25/100 o limite para o medo extremo.

O pânico não é novidade para o mercado este ano, que teve seu período mais longo da história de "medo extremo" – mais de dois meses.

Índice de Medo e Ganância (screenshot). Fonte: Alternative.me

Um potencial indicador positivo pode ter se manifestado no interesse verificado nas redes sociais, que teve uma recuperação no fim de semana, observou a Santiment.

“Entre as top 100 criptomoedas, o $BTC é o assunto em mais de 26% das discussões pela primeira vez desde meados de julho”, revelou a Santimente em comentários no Twitter esta semana:

“Nosso backtesting mostra que 20%+ das discussões dedicadas ao Bitcoin é positivo para o setor.”
Dominância social do Bitcoin. Fonte: Santiment/ Twitter

As opiniões e pontos de vista expressos aqui são exclusivamente do autor e não refletem necessariamente as opiniões do Cointelegraph.com. Cada movimento de investimento e negociação envolve risco, você deve realizar sua própria pesquisa ao tomar uma decisão.