A Solana (SOL) não tem participado das narrativas mais quentes do mercado de criptomoedas nos últimos meses, principalmente após o colapso da FTX. A rede, porém, não está morta, conforme apontam dados extraídos da blockchain. Rony Szuster, analista do MB Research, afirma que o momento atual da Solana é forte e pode fortalecer a rede, mas não garante sucesso do ecossistema no longo prazo.
Transações em alta
Dados da plataforma Artemis apontam que quase 24 milhões de transações foram conduzidas na Solana nos últimos três meses. O crescimento em relação aos três meses anteriores foi de 23,7%. A título de comparação, a Tron, blockchain com o segundo maior número de transações no período, exibe apenas 9 milhões de movimentações, mesmo com seis vezes mais endereços únicos ativos.
O número de endereços únicos em atividade na rede da criptomoeda SOL também cresceu nos últimos três meses, somando 362.551, com um crescimento de 17%. Isso faz da Solana a quinta maior blockchain com endereços únicos, ainda nos dados da plataforma Artemis.
Número de endereços únicos ativos da Solana. Fonte: Artemis
Motivos para o crescimento
Rony Szuster avalia que o aumento no volume de transações da Solana pode estar ligado aos problemas recentes enfrentados pelas blockchains Ethereum e Bitcoin. “No Ethereum, tivemos o ‘boom’ das memecoins, como PEPE e Floki, que acabaram congestionando a rede. Na blockchain do Bitcoin houve um problema semelhante com os Ordinals, com criação de NFTs e os tokens BRC-20.”
O analista do MB Research aponta, então, que a tendência em cenários como esse é a migração do fluxo de usuários para redes menores e com taxas mais baratas. Ele menciona como exemplos a Binance Smart Chain, a Avalanche e a Solana.
Além disso, Szuster afirma que a comunidade de NFTs da Solana é, em números relativos, uma das maiores. Dados da plataforma CryptoSlam indicam que a Solana é o terceiro maior ecossistema em volume de vendas de NFTs nas últimas 24 horas, totalizando US$ 1,1 milhão. Conforme destacado por Szuster, no entanto, o valor ainda é menor em relação a outras blockchains, como o Ethereum, que somou US$ 17,1 milhões no mesmo período.
Longo prazo ainda incerto
Apesar do cenário positivo no curto prazo, o futuro da Solana e da criptomoeda SOL ainda não pode ser considerado promissor. O analista do MB Research diz que o ecossistema Solana ainda não se recuperou da crise sofrida após o colapso da FTX.
A FTX e seu braço de investimentos, a Alameda Research, eram duas entidades que alocavam um volume significativo de capital na Solana. Após a queda de ambas as empresas, a SOL caiu 77% entre o início de novembro e o fim de dezembro de 2022. Em relação à máxima histórica, a correção chegou a 92%. O crescimento em transações e endereços únicos, desta forma, podem ser vistos como uma tomada de fôlego do ecossistema.
Cotação da SOL entre novembro e dezembro de 2022. Fonte: CoinGecko
A relação com o congestionamento de duas grandes blockchains, no entanto, pode fazer com que o crescimento da Solana não se sustente, pondera Szuster. Além disso, o número de desenvolvedores ativos na rede tem passado por queda nos últimos meses, acrescenta o analista.
“Esse é um mau sinal para o longo prazo, já que os desenvolvedores são os empreendedores da blockchain, eles criam novas aplicações. Não sei se é uma consequência da queda da FTX, ou se está ligada a outro evento. Atualmente, são 1.230 desenvolvedores ativos mensalmente na Solana, um número pequeno em comparação a Polkadot, Ethereum e outras redes.”
Por outro lado, a Solana tem fortalecido seu principal ponto forte, que é a comunidade de NFTs, avalia Szuster. “Em abril, eles anunciaram a tecnologia de state compression, que reduziria bastante o custo para emitir novos NFTs, principalmente na emissão de grandes quantidades.”
Outro ponto positivo mencionado pelo analista é a atenção dada pela Solana às aplicações para dispositivos móveis, e o analista cita o lançamento do smartphone Saga. Este é mais um pilar que pode impulsionar o crescimento da Solana.
“Aparentemente, a rede Solana não faliu, como muitas acreditavam que aconteceria após o episódio da FTX. A rede sofreu muito, e ainda está sofrendo, mas ainda tem chances de sobreviver e talvez crescer no próximo ciclo de alta como cresceu no último”, conclui Szuster.
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